terça-feira, 10 de agosto de 2010

LULA É DILMA, DILMA É LULA

DO TIJOLAÇO.COM

O Datafolha prepara a retirada?

O problema de marketing é dizer ao Ualace que Lula é Dilma e Dilma é Lula

Muito interessante a nota publicada na coluna de Ilimar Franco, em O Globo, dizendo que a cúpula serrista já procura explicações para uma eventual vantagem de Dilma Rousseff na próxima pesquisa Datafolha. “Um integrante do comando da campanha do tucano explica que Dilma será favorecida pelo fato de ter sido a entrevistada de ontem do “Jornal Nacional”, da TV Globo, enquanto Serra será ouvido na quarta-feira”. diz a nota.

Engraçado, o Serra teve três – três! – programas irregulares em rede nacional de rádio e televisão, além do seu próprio programa, o do PSDB, e mais um mar de inserções – que lhe estão valendo multa atrás de multa – entre maio e junho. Está todo dia nas emissoras de televisão e goza da simpatia dos jornais. E tá reclamando de exposição?

Não meus amigos, o problema que incomoda Serra é outro. É que Dilma foi para o Jornal Nacional com a regra número um na ponta da língua: Lula é Dilma e Dilma é Lula.

É isso que apavora a tucanada. Leia esta matéria no mesmo O Globo, onde a repórter Dandara Tinoco fez domingo uma enquete na Quinta da Boa Vista, local de lazer popular na Zona Norte do Rio e constatou que, de 27 pessoas indagadas, nada menos que 15 – mais da metade! – não sabem ou trocam o nome do candidato apoiado por Lula.

Ualace Costa, de senador Camará – Zona oeste – diz, com simplicidade:

- Não sou de votar, sou batista e acompanho mais a Igreja que a política, mas Lula é Lula. É um cara bacana e não vai apoiar quem não presta. Não tenho nem idéia de quem Lula apóia. Mas com certeza meu voto vai para essa pessoa.

Ualace, Lula é Dilma e Dilma é Lula, viu?

PIB ACELERADO

DO BLOG TERROR DO NORDESTE

Avanço de 20% nos investimentos e consumo das famílias puxam PIB 2010


A economia brasileira deve crescer 6,5% neste ano, de acordo com previsão do Ministério da Fazenda. O relatório Economia Brasileira em Perspectiva aponta que a expansão em 2010 será puxada pelos investimentos e consumo das famílias, além da aceleração do ritmo de execução do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O consumo das famílias deve encerrar o ano com alta de 6,6%, e os investimentos devem representar avanço de 20,4%. O consumo do governo deve ter alta mais modesta, de 2,8%, de acordo com o relatório.

Ainda segundo o documento, o país retomou o ciclo de crescimento sustentável, com alta de 2,7% no primeiro trimestre e de 11,4% em termos anualizados. Mesmo com a forte expansão no período, a Fazenda ressalta que o fim dos estímulos fiscais e monetários fará com que o PIB (Produto Interno Bruto) continue crescendo no segundo semestre, mas sem sinais de superaquecimento.

A demanda interna foi a responsável pela recuperação rápida da economia depois da crise mundial, com avanço de 9,1%, mais do que compensando a queda de 2,6% na demanda externa. O crescimento da renda e do emprego são apontados pelo Ministério da Fazenda como responsáveis pelos ganhos.

Em junho, o Banco Central divulgou seu relatório trimestral de inflação, no qual projetava uma expansão ainda maior para o PIB em 2010, de 7,3%.

INFLAÇÃO

O governo manteve a estimativa para o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) neste ano emem 5,2%. O índice está acima do centro da meta para o período, de 4,5%. Em julho, a inflação apurada ficou em 0,01%, após registrar estabilidade em junho.

Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 4,6%, quase no centro da meta (4,5%) determinada pelo governo federal. No ano, o índice registra elevação de 3,1%.

Os alimentos tiveram deflação de 0,76%, ante variação negativa de 0,90% no mês passado. Os produtos não alimentícios tiveram desaceleração e registraram inflação de 0,24%, ante 0,27% em junho.

Os números são do relatório bimensal, referente a junho e julho de 2010, elaborado por técnicos do Ministério da Fazenda. FSP

domingo, 8 de agosto de 2010

A ESTE PAI, AO MEU PAI, AO NOSSO PAI...




FELIZ DIA DOS PAIS




As Mãos do Meu Pai

poemas de mario quintana para o dia dos pais

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...

(Mario Quintana)

sábado, 7 de agosto de 2010

DILMA PODE LIQUIDAR A FATURA NO PRIMEIRO TURNO

DO TIJOLAÇO.COM

Sensus, Ibope e Vox: Pode dar Dilma no 1º turno


Dilma está muito perto de derrotar Serra logo em 3 de outubro

Os institutos de Pesquisa Sensus, Ibope e Vox Populi concordam que Dilma Rousseff pode liquidar a fatura da eleição presidencial no primeiro turno. Perguntados diretamente sobre essa hipotese pelo colunista da Carta Capital, Mauricio Dias, os presidentes dos três institutos responderam afirmativamente, justificando suas respostas.

Ricardo Guedes, do Sensus, que divulgou a última pesquisa, com Dilma 10 pontos à frente de Serra, usou um número inqustionável para sustentar a possibilidade. Dilma tem 48,5% dos votos válidos, portanto está muito próxima dos 50% mais um dos votos necessários para ganhar no primeiro turno, e isso antes do início da propaganda eleitoral.

Montenegro, do Ibope, afirma que a eleição pode terminar no primeiro turno com vitória de Dilma, já que ela está com todos os indicadores em alta e crescendo no Sudeste, onde a eleição se decide. Montenegro destaca a redução da desvantagem de Dilma para Serra em São Paulo, de 25 pontos para 11 pontos. O presidente do Ibope só não cravou a vitória de Dilma porque considera que os programas eleitorais e os debates podem causar alguma mudança no cenário.

João Francisco Meira, do Vox Populi, cuja última pesquisa deu oito pontos de dianteira para Dilma, enumerou cinco fatores que favorecem a vitória da candidata petista: a satisfação da sociedade com a situação econômica; a satisfação com o governo; a admiração pelo presidente da República; a identidade partidária; e o tempo de a

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

DILMA DISPARA NA LIDERANÇA

DO SITE BRASÍLIA CONFIDENCIAL

Sensus indica que vantagem de Dilma é superior a 13 milhões

pesquisa Mais uma pesquisa de intenção de voto – a terceira em menos de 20 dias – apontou ontem a candidata do PT, Dilma Rousseff, na liderança da disputa pela Presidência da República. De acordo com o instituto Sensus, entre 31 de julho e 2 de agosto Dilma obteve 41,6% das intenções de voto, José Serra (PSDB) obteve 31,6% e Marina Silva (PV) 8,5%. A vantagem de Dilma sobre Serra na simulação de primeiro turno, que é de 10 pontos percentuais, aumenta para quase 12 pontos na simulação de segundo turno: Dilma sobe a 48,3% e Serra para 36,6%.

A diferença favorável à candidata do PT, na pesquisa feita pelo Sensus para a Confederação Nacional do Transporte, é a mais ampla identificada pelos três institutos que apontaram vantagem de Dilma nas últimas semanas. No período de 17 a 20 de julho, o Vox Populi identificou vantagem de 8 pontos para a petista (41% contra 33%); e o Ibope apurou diferença de 5 pontos na pesquisa que realizou entre 26 e 29 de julho. Único dos quatro grandes institutos a não identificar a liderança de Dilma, o Datafolha apontou “empate técnico”, com diferença de 1 ponto em favor de José Serra, na pesquisa feita entre 20 e 23 de julho.

Em números absolutos, a vantagem de Dilma sobre Serra varia de quase 7 milhões (na pesquisa Ibope) para aproximadamente 11 milhões (Vox Populi) e supera a 13 milhões (Sensus).

Os resultados da pesquisa Sensus/CNT, que ouviu 2.000 eleitores em 136 municípios de 24 estados, aponta ainda a liderança de Dilma tanto entre eleitoras (38% contra 36%) quanto entre eleitores (45% contra 30%). Informa ainda que mais de 47% do eleitorado acredita na vitória da petista e que seu principal adversário, José Serra, é o candidato com maior índice de rejeição (quase 31%). A rejeição a Dilma é de 25%.

Dilma obteve vantagem de 27 pontos sobre Serra na Região Nordeste e 4 pontos nas regiões Norte e Centro Oeste. No Sudeste a petista e o tucano estão empatados (33,5% para Serra e 33,2% para Dilma). E no Sul o candidato das oposições mantém a liderança por diferença de 5 pontos.

Segundo o instituto Sensus, mais de 80% do eleitorado aprova o desempenho do presidente Lula e mais de 77% aprovam o governo que ele comanda.

RESULTADO POR INSTITUTO

Dilma Serra Marina

Vox Populi (17 a 20/07) 41% 33% 8%

Datafolha (20 a 23/07) 36% 37% 10%

Ibope (26 a 29/07) 39% 34% 7%

Sensus (31/07 a 2/08) 41,6% 31,6% 8,5%

PESQUISA SENSUS POR REGIÃO

Dilma Serra

Norte/Centro Oeste 38,4% 34,1%

Nordeste 58,4% 21,4%

Sudeste 33,2% 33,5%

Sul 37,1% 42,6%

2º TURNO

Dilma ……… 48,3%

Serra ………. 36,6%

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O REJEITADO

Via Blog Terror do Nordeste

CRISTIANIZARAM O SERRA


A histórica campanha de 1950, quando GetúlioVargas voltou ao poder, deu origem ao termo “cristianização” na política brasileira, quando o PSD abandonou seu candidato Cristiano Machado (foto) à própria sorte e transferiu votos para Getúlio. Desde então, toda traição de um partido a seu candidato é conhecida como cristianização.


Processo semelhante ocorre agora com a candidatura de José Serra à Presidência pelo PSDB. Nome imposto à força pela tucanagem paulista e sem a simpatia do partido até pelas características pessoais do candidato, Serra vem sendo paulatinamente abandonado pelos principais nomes do partido e tende a terminar a campanha só, melancolicamente derrotado pelo que as pesquisas começam a indicar.


Diariamente, a Folha de S.Paulo vem apontando defecções na campanha de Serra. Tucanos de alta plumagem, que evitam associar seus nomes ao do candidato à Presidência, que deveria ser o puxador de votos. Nessa lista, já entraram nomes de peso do PSDB, como os senadores Tasso Jereissatti, do Ceará, Arthur Virgílio, do Amazonas, e Sergio Guerra, de Pernambuco, presidente nacional do partido, e o de Agripino Maia, do incondicional aliado DEM. Todos fazem suas campanhas sem menção ao nome de Serra.


Outro caso flagrante e de explicação óbvia, ocorre em Minas Gerais, onde Aécio Neves empenha todo seu prestígio na eleição do tucano Antonio Anastasia ao governo do estado e toca sua campanha ao senado, ignorando a existência de Serra. Aécio tentou ser o candidato do PSDB à Presidência, inclusive sugerindo a realização de prévias no partido, mas foi atropelado por Serra, com recurso a golpes baixos transmitidos por meio da mídia.


Com o segundo maior colégio eleitoral do país, Minas tem papel decisivo em toda eleição, e as pesquisas indicam que será totalmente favorável à Dilma Rousseff. A candidata do governo abriu 12 pontos de vantagem sobre Serra no estado, segundo a última pesquisa Ibope/TV Globo/Estadão. Em Minas, surgiu e ganhou força a chapa Dilmasia, a união do candidato tucano ao governo do estado à candidata petista à Presidência, o melhor retrato da cristianização de Serra.


Mas o que exatamente levou Serra a ser abandonado por suas próprias hostes? Aí entra uma série de fatores. Em primeiro lugar, a dificuldade de enfrentar a candidatura de um governo popular, com altos índices de aprovação, tarefa que exigiria da oposição um discurso novo. Serra iniciou a campanha sem discurso, evitando se opor a Lula, mas não dizendo ao que veio. O slogan escolhido pela oposição, “O Brasil pode mais”, foi de uma infelicidade atroz. Ele serviria para uma idéia de continuísmo, justamente o que Serra não representa. Para a candidatura do governo ficou fácil derrubá-lo. Basta comparar o que foi feito nos oito anos de governo tucano, ao qual Serra serviu como ministro e com influência decisiva em aspectos essenciais, como a privatização da Vale do Rio Doce, e as realizações dos dois governos de Lula para verificar quem fez mais.


Como a estratégia Serrinha paz e amor não deu certo, o candidato tucano precisou engrossar um pouco mais a fala e aí se perdeu de vez. Serra incorporou o discurso da direita e saiu como um cão raivoso falando de república sindicalista, evocação terrível de um dos termos usados na preparação do golpe contra Jango, de condescendência da Bolívia com o tráfico de drogas e de ligação do PT às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, nesse último caso endossando acusações irresponsáveis de seu vice, que custaram direito de resposta no site do PSDB e processos na Justiça.


A escolha do vice foi outro exemplo da cristianização de Serra. O DEM bateu o pé pelo direito de indicar um representante seu ao cargo, contrariou Serra, que desejava chapa puro sangue com o deputado Álvaro Dias, que chegou a ser anunciado, e empurrou um nome sem a menor expressão e preparo político, o que se revelou logo de cara com sua intervenção desastrada.


Todos esses fatores foram se acumulando, e quem era obrigado a engolir o estilo trator de Serra, que na sua obsessão pela Presidência não distinguiu aliados de inimigos, percebeu a hora do troco. Com a candidatura naufragando antes mesmo de começar a propaganda na televisão, o barco começou a ser abandonado e dá sinais de ter pouco fôlego para ir além do primeiro turno.

Mair Pena Neto, Direto da Redação

terça-feira, 3 de agosto de 2010

OLIGARQUIA E ELITE

"Os Idiotas"

Por Walter Salles.
Praia de Lopes Mendes, Ilha Grande, domingo de manhã. Como é uma área de proteção ambiental, não há carros. Chega-se até ali caminhando por uma longa e bem-preservada trilha através da mata atlântica ou pelo mar, de barco.

Por causa das férias escolares, há muitas crianças na areia. De repente, o cenário se transforma numa cena de "Apocalypse Now", de Francis Ford Coppola. Um helicóptero dá um rasante na praia. Depois chega outro, e logo mais um terceiro. Ferindo a lei, pousam ao lado da areia, perto de uma pequena igreja construída pelos pescadores da região -uma das únicas edificações da praia.

Os passageiros saltam. Você já os viu naquelas revistas que glorificam "celebridades". Caminham pela praia, dão um rápido mergulho, mas não ficam. Logo partem para atazanar uma outra freguesia, não sem antes darem novos rasantes na praia. O negócio não é desaparecer na geografia de um lugar. O negócio é ser visto.

Não interessam as tradições do local. Interessa, ao contrário, trazer consigo o mundo em que essas pessoas vivem. É um pouco como George Bush, da primeira vez que foi a Roma, já na Presidência do país mais poderoso do mundo. Levou toda sua comitiva para comer no McDonald's. Em Roma, como os americanos.

Ir à praia de helicóptero, no Brasil de hoje, não é uma exclusividade do litoral fluminense. Em Trancoso, na Bahia, um helicóptero pousou na semana retrasada em plena praia do Espelho, lançando areia sobre os banhistas que lá estavam. Saudável reação: foi apedrejado. Até na distante Barra Grande, península de Maraú, Bahia, helicópteros também começaram a pousar em área pública -as praias- pela primeira vez.

[...] Não é à toa, aliás, que helicópteros são expostos na Daslu, ao lado de calcinhas subfaturadas. Estão na moda.

Há algo de sintomático nisso. Em primeiro lugar, a já cansativa confusão entre o público e o privado [...]. Hoje, o que é privado é defendido a unhas e dentes, atrás de vidros blindados, em ruas com cancelas e seguranças. O que é público é constantemente conspurcado. Não importa se uma praia é área de proteção ambiental. [...]

[...]

Um economista do MIT, Lester Thurow, sustenta a tese de que "o que falta na América Latina é elite. O que existe é oligarquia. As oligarquias desfrutam ou herdam o poder, mas não entendem as responsabilidades públicas inerentes a ele". Ou seja: querem os privilégios, mas não os ônus. Querem a gravata da Gucci, mas não os impostos de importação, que se convertem em saúde, educação etc. Depois, reclamam da falta de segurança, da inoperância dos governos, apadrinham uma creche para apaziguar a consciência e, ato final, compram um helicóptero para sobrevoar os nossos Haitis. [...]

Para finalizar: muitas vezes me perguntam por que o cinema brasileiro fala tão pouco de suas elites. A resposta é simples: porque não é fácil falar de classes dominantes tão caricatas. Pena que Buñuel não esteja mais entre nós. Nem Tomas Gutierrez Alea, cujo olhar cáustico também teria dado conta do recado. Sobra Lars von Trier, que fez um filme sobre um bando de pessoas que fazem de tudo para chamar a atenção. Chama-se "Os Idiotas".


Walter Salles, 49, é cineasta, diretor, entre outros filmes, de "Central do Brasil" e "Diários de Motocicleta". (Folha)