segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A luta pela igualdade reforçando a liberdade

Da Agência Carta Maior

DEBATE ABERTO

Lula, o PT e as classes sociais

As classes médias tornarão a apoiar o PT ao convencerem-se de que a qualificação dos serviços públicos acarreta resultados positivos para todos e de que a luta pela igualdade não pretende suprimir a liberdade.

Em uma importante análise recém publicada, cujos dados foram incorporados à presente reflexão, o cientista político André Singer (Raízes sociais e ideológicas do lulismo, Revista Novos Estudos, nov/2010) debruça-se sobre a evolução do fenômeno que denominou de “lulismo”. O lulismo consistiria no amparo proveniente dos setores empobrecidos da população ao projeto político representado por Luís Inácio Lula da Silva. Segundo Singer, o próprio PT pende fortemente nessa direção depois de perder o respaldo das classes médias. Ações distributivas do Estado, aliadas à manutenção da estabilidade do país, teriam levado o eleitorado com proventos limitados a dois salários mínimos a migrar para o campo de apoio do ex-retirante nordestino.

A prova dos nove seria a vitória sobre Alckmin, em 2006, com a votação massiva das faixas de baixíssima renda familiar, o “subproletariado”: por definição, os que se inserem no mercado de trabalho sem uma remuneração que assegure a reprodução de suas energias. Se dependesse dos eleitores com rendimento acima de dez salários o petista haveria soçobrado. Note-se que em 1989 a hegemonia exercida pelo PT deu-se “às avessas”, isto é, entre os favorecidos em lugar dos desfavorecidos. A “gente humilde”, reverenciada nos versos poéticos de Vinícius de Moraes e Chico Buarque, tendeu para o histriônico “caçador de marajás”. Coisa que suscitou em Lula uma avaliação normativa que acenava a vontade de ser feliz: “Temos de ir para a periferia, onde estão milhões de pessoas que se deixam conduzir pela promessa fácil de casa e comida”.

Na verdade, adverte Singer, a dita “promessa fácil” era o desaguadouro dos preconceitos instalados na base da pirâmide social. Esta, nos anos 80, opunha-se aos movimentos sociais que ameaçassem desestabilizar a ordem estabelecida e aceitava a intervenção das tropas militares para dissolver as greves (41,6% contra 8,6% dos que recebiam acima de vinte salários mínimos). Os subproletários não se portavam como sujeitos políticos autônomos, inclinando-se a forjar uma identidade pela ótica dos de cima. Em 1994 e em 1998 a tendência repetiu-se, com Fernando Henrique Cardoso mobilizando os trabalhadores sem registro formal ou experiência sindical. Os eleitores lulistas tinham então níveis superiores de escolarização e concentravam-se em bolsões urbanizados e industrializados, no Sul e no Sudeste. Em 2002, quando o prócer da esperança chegou à presidência, a votação também não exprimiu uma polarização do tipo pobres versus ricos.

Mudança de paradigma
O ano da virada é 2006. Frustrada com as denúncias de corrupção do “mensalão”, iniciadas em maio e arrastadas até fins de 2005, as classes médias debandaram para a ponta oposta do espectro ideológico enquanto a sustentação do presidente deslocava-se para as camadas antes refratárias à esquerda. O deslocamento começou com o Bolsa Família em 2003, e avançou com a superação da conjuntura recessiva e o sentimento de que o poder de consumo de produtos tradicionais (alimentos, materiais de construção civil) e novos (celulares, DVDs, passagens aéreas) descortinava melhores condições de vida aos de baixo. Isso evitou o naufrágio político de Lula, apesar da deserção das classes médias e das manchetes sensacionalistas.

Explica-se. Próximo ao pleito, o BF atendia 11,4 milhões de famílias e seu orçamento saltara de R$ 570 milhões para R$ 7,5 bilhões. Com o que Lula obteve 60% dos votos no Nordeste no primeiro turno e 33% no Sul. A diferença correspondeu ao investimento no BF, três vezes maior no Nordeste, aniquilando o conservadorismo dos grotões. Entre os votantes pela primeira vez em Lula ponteavam as mulheres de baixa renda, justo o alvo do programa. Outras variáveis incidiram no processo evidentemente.

A cesta básica que subiu 8,5% e 10,4% em Porto Alegre e São Paulo, locais em que perdeu, e em Recife e Fortaleza minguou para 4% e -3%, capitais de estados em que venceu com 82% e 75% da apuração. A valorização do salário mínimo que dinamizou a economia das cidades de menor IDH e estimulou as vendas do varejo. A expansão do financiamento popular, o crédito consignado, os empréstimos à agricultura familiar, o microcrédito, a eletrificação rural, as cisternas no semi-árido, a bancarização de quem jamais usou cartão nos caixas, etc.

Singer lembra ainda o Benefício de Prestação Continuada que repassa um salário aos idosos ou portadores de necessidades especiais com renda per capita na família até ¼ do salário mínimo. Com o Estatuto do Idoso, aliás, a idade para o recebimento baixou de 67 para 65 anos. O BPC contemplava 2,4 milhões de cidadãos no ano emblemático, com indicativo de que 62% dos que integravam algum plano governamental votariam em Lula.

Em suma, as políticas sociais implementadas no primeiro mandato contribuíram no combate à pobreza, reduziram as taxas de desemprego de 10,2% em 2002 para 8,3% em 2005, baixaram a inflação de 12,5% para 5,6% e cimentaram a posição carismática do operário que reelegeu-se para o ápice da representação política, com uma mudança de paradigma no suporte sócio-regional. O PT prosseguiu influente nos centros urbanos e industriais, com uma bancada de deputados federais concentrada em municípios desenvolvidos. Lula (e Dilma Rousseff, em 2010) tem hoje enorme audiência no Norte e Nordeste, mas o PT arregimenta parlamentares para o Congresso Nacional no Sul e Sudeste majoritariamente.

A liderança de Lula
Alguns analistas interpretam de modo negativo o significado da liderança de Lula. Acusam-no de despolitizar o tema da pobreza e da desigualdade, por não desconstruir o modelo explorador vigente nas relações entre o capital e o trabalho. A marca do lulismo seria a desideologização do antagonismo subjacente ao sistema de dominação capitalista. A permanência de pilares da política macroeconômica oriundas do governo antecessor (metas de inflação, câmbio flutuante, superávit primário nas contas públicas e independência do Banco Central) revigora a tese da direitização condensada no lulismo. O que as ácidas condenações não captam é que a adesão dos setores de baixíssima renda decorreu em boa proporção do clima de harmonia e estabilidade. No imaginário do subproletariado viradas bruscas arriscariam os direitos conquistados a duras penas.

A prudência de Lula, anunciada na Carta aos Brasileiros (em que comprometia-se a manter os contratos) e ilustrada na adoção da Lei de Responsabilidade Fiscal (que inibe investimentos dos entes federados), pavimentou a transição de 35 milhões de corações e mentes para a “classe C” fazendo da necessidade conjuntural uma virtude histórica. Para tanto, foram minadas as principais concessões de FHC ao Consenso de Washington: os juros altos, a liberdade de movimento dos capitais e a contenção dos gastos públicos. Se o percurso de Lula para esconjurar as reminiscências do neoliberalismo foi sinuoso e estampou contradições caricatas ao cotejar-se a gestão de Meireles no BC e Mantega no Ministério da Fazenda, em compensação, abriu uma promissora agenda de inclusão social. Mérito fabuloso, considerando que 50% da força de trabalho está na informalidade e sobrevive com aportes precários. Sem mencionar que, nesse período, o Estado tornou-se um ícone contra toda manifestação de desigualdade social, étnica ou de gênero encarnando os ideais de uma autêntica República.

O que realimenta as críticas é o fato de que a linguagem classista das origens do PT, aos moldes do slogan “trabalhador não vota em patrão”, anteriormente dirigida às camadas intermediárias a exemplo dos operários industriais, dos servidores públicos e dos estudantes universitários perdeu a capacidade de interpelação na sociedade. Os partidos situados à extrema esquerda que insistem em bater na tecla do classismo não conseguem crescer na preferência das maiorias e têm dificuldades de se colocar no cenário político. A absorção e a vocalização de um discurso com ênfase republicana e igualitária, somado ao apelo à democracia participativa, é o que garante ao PT uma interlocução renovada com a cidadania e uma presença forte em distintas órbitas representativas da federação. Para muitos, tal configura um abandono estratégico do socialismo e um insulto à utopia, quando significa tão somente um ajuste tático em face das mutações da realidade política social e econômica em um contexto de afirmação dos procedimentos institucionais.

Um passo atrás, dois à frente
A idéia de modernização do capitalismo, que encantou o senso comum e a grande mídia ao tempo que os carros nacionais eram comparados às carroças de tração animal, não acha mais eco nas multidões que estão vivenciando uma inédita mobilidade social. O antidesenvolvimentismo que teve como expoente FHC fracassou. Nada havia de moderno em crescer como rabo de cavalo, privatizar o patrimônio público com dinheiro do BNDES e inserir-se de maneira subalterna e entreguista na globalização a um custo socialmente perverso. A inépcia da direita em adotar um discurso em consonância com o estágio porque passa a nação ficou clara nessa disputa eleitoral na performance errática e obscurantista de José Serra que, atônito, procurou alçar temáticas de foro íntimo ao centro do debate político. Terminou na vergonhosa pantomima da bolinha de papel.

O que ora baliza a atuação dos atores políticos, contornando a radicalidade do enfrentamento classe contra classe, são as propostas de universalização de direitos, as quais serão robustecidas já em 2011 graças aos substanciais recursos advindos da aprovação do novo marco regulatório do Pré-Sal. Com a transferência dos fundos públicos excedentes “para os lázaros” e “as filhas dos lázaros”, para evocar a metáfora de uma crônica de Paulo Mendes Campos, e a socialização do poder político através de mecanismos decisórios abertos à participação da sociedade civil, a democracia brasileira adquire enfim uma dimensão social e ativa. Trata-se de um movimento capaz de transformar as políticas de governo em curso em políticas de Estado enraizadas na consciência do povo. Aquilo que aparentava ser um recuo conceitual são passos firmes e seguros adiante, iluminados pela lanterna acesa da justiça distributiva.

Aprofundar esse empenho civilizatório implica na reinvenção do Brasil e da própria América Latina, com a criação e a generalização de valores não-mercantis para o exercício da cidadania e a democratização dos canais de relacionamento entre os governados e os governantes. Pesquisas divulgadas após a emancipadora vitória de Dilma informam que 81% da população acha que o país está no rumo certo, no Nordeste a sensação beira os 90% (Vox Populi, dez/2010). Nesse ambiente otimista, é de prever-se a consolidação da lealdade política dos contingentes de baixíssima renda que carregam sobre os ombros o projeto sintetizado por Lula e, com a cabeça, sufragaram a primeira mulher à presidência. As classes médias tornarão a apoiar o PT ao convencerem-se de que a qualificação dos serviços públicos acarreta resultados positivos para todos e de que a luta pela igualdade não pretende suprimir a liberdade. Encerro remetendo ao princípio: a leitura do estudo feito por Singer.


Luiz Marques é professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Zeca Baleiro. Lenha.

VIA PORTAL LUIZ NASSIF

Zeca Baleiro

"LENHA"

ZECA BALEIRO na VIRADA CULTURAL SÃO PAULO 2009
"""Eu não sei dizer
O que quer dizer
O que vou dizer
Eu amo você
Mas não sei o quê
Isso quer dizer...



domingo, 5 de dezembro de 2010

A 'menina' e o preconceito

Via Onipresente

Racista Mayara Petruso enfrenta consequências de suas atitudes





Um mês depois, jovem que ofendeu nordestinos vive escondida. Segundo parentes, Mayara Petruso evita lugares públicos e deixou a faculdade; Ministério Público decretou sigilo da investigação.

Um mês após postar mensagens de ofensa contra nordestinos na internet, a estudante Mayara Petruso ainda evita aparecer em público. Ela deixou de sair de casa sozinha, largou o curso de Direito na FMU e, segundo a família, foi obrigada a se refugiar longe da casa da mãe, em virtude de ameaças que ainda sofre.

A estudante Mayara Penteado Petruso, que postou frases contra nordestinos nas redes sociais e agora é alvo do Ministério Público Federal; Investigação está sob sigilo

Depois de perder o emprego, Mayara diminuiu também a frequência de encontro com o grupo habitual de amigos e ganhou fama de “a menina que não gosta de nordestinos” na cidade onde morava com a família, em Bragança Paulista, interior de São Paulo.

A família também ficou reclusa. Alegando terem recebido ameaças por e-mail e telefone, a mãe e a avó da garota se dizem assustadas ao verem pessoas estranhas rodeando seu pequeno comércio, na periferia de Bragança. Orientada pelo advogado que defende Mayara, a família optou por limitar o contato com a imprensa.

“A Mayara é ameaçada todo dia. Tudo que vocês falam só a prejudica. Ninguém sabe o que aconteceu de fato e peço para que parem de nos procurar”, afirmou a avó da estudante, Magda Penteado, ao ser procurada pela reportagem do iG. “Tanta coisa para se preocupar no mundo e vocês ficam perturbando a minha neta?!”, indagou nervosa.

Depois de muita insistência, a mãe da garota, Luciana Penteado, resolveu trocar poucas palavras com a reportagem. “A vida da Mayara está em perigo. As pessoas não sabem o que ocorreu de fato e fazem julgamentos antecipados”, disse a mãe. “A gente só quer um pouco de sossego para continuar a vida”, desabafou.

Luciana Penteado se disse cansada do assédio da imprensa e de pessoas estranhas que, segundo ela, passaram a rondar sua casa em Bragança. Ela lamentou que a privacidade da família tenha sido exposta na internet. “Nossos dados pessoais e endereço foram expostos na internet como se fossemos criminosos”, contou.

De acordo com a mãe, a família foi obrigada a trocar a linha de telefone em virtude das ameaças e da quantidade de ligações procurando Mayara após o episódio das eleições. Pelo fato de seu endereço ter sido divulgado na internet, a jovem de 21 anos decidiu não voltar para a casa da mãe e está abrigada longe da família. “Ela só quer esquecer o episódio, provar sua inocência e continuar a vida”, disse a mãe, que respondia as perguntas com brevidade e receio.

Questionada sobre o que aconteceu de fato na noite de 31 de outubro, Luciana encerrou de vez o assunto e afirmou que dali em diante o advogado da garota responderia a eventuais questionamentos. O pai de Mayara, o empresário Antonino Petruso, dono de uma rede de supermercados de Bragança também preferiu não se pronunciar. Na época em que o caso veio à tona, ele afirmou ao iG que estava “surpreso, decepcionado e envergonhado” com atitude da filha. Ele deixou de atender ao telefone e se recusou a receber a reportagem em uma de suas lojas, no centro de Bragança.

Mayara Petruso postou no Twitter e no Facebook frases de preconceito contra os nordestinos e agora é alvo do Ministério Público Federal; Investigação está sob sigilo

Na Justiça, o Ministério Público Federal em São Paulo também decretou na semana passada o sigilo de Justiça da investigação contra jovem, a pedido do advogado da acusada, Osvaldo Zago. A procuradora da República Melissa Garcia Blagitz Abreu e Silva entendeu que o assédio da imprensa atrapalha a apuração do caso e a segurança de Mayara Petruso.

Parte interessa no caso, a OAB de Pernambuco disse que desconhecia o segredo da investigação e, um mês depois do acontecido, ainda espera retorno do MPF para saber se queixa-crime será aceita pelo órgão. A entidade diz que aguardará a manifestação da procuradora sobre se abrirá ou não processo criminal contra a jovem antes de se pronunciar. O Ministério Público Federal informa, contudo, que ainda não há processo formal aberto contra Mayara Petruso na Justiça.

Fonte: Portal iG

sábado, 4 de dezembro de 2010

Impropérios sem limites

Do Onipresente

MPF quer que Band se retrate por ofensas de Datena contra ateus

O MPF (Ministério Público Federal) entrou com ação civil pública da Justiça para obrigar a TV Bandeirantes a exibir durante o programa Brasil Urgente uma retratação pelas declarações ofensivas do apresentador José Luiz Datena contra os ateus.

Veja mais no site ATEA.ORG

Durante a exibição de uma reportagem, no dia 27 de julho, Datena e o repórter Márcio Campos relacionaram o crime com pessoas que não acreditam em Deus. “...porque o sujeito que é ateu, na minha modesta opinião, não tem limites, é por isso que a gente vê esses crimes aí”.

Reprodução

Além disso, o apresentador atribuiu os males do mundo aos ateus. “É por isso que o mundo está essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo mais, entendeu? São os caras do mal. Se bem que tem ateu que não é do mal, mas, é ..., o sujeito que não respeita os limites de Deus, é porque não sei, não respeita limite nenhum”, disse.

Em todo o tempo em que a matéria ficou no ar, o apresentador associava aos ateus a ideia de que só quem não acreditava em Deus poderia ser capaz de cometer crimes. Datena ainda debochou dos telespectadores que assistiam ao programa: “Quem é ateu pode desligar a televisão, ou mudar de canal pois eu não faço questão nenhuma de que assistam o meu programa”.

O programa ainda realizou uma pesquisa interativa para saber a opinião da audiência sobre a relação entre violência e ateísmo. Diante de um grande número de ligações que não concordavam com a tese do apresentador, Datena disse: “Muitos bandidos devem estar votando do outro lado".

Para o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão Jefferson Aparecido Dias, autor da ação, ao veicular as declarações preconceituosas contra pessoas que não compartilham o mesmo modo de pensar do apresentador, a emissora descumpriu a finalidade educativa e informativa, com respeito aos valores éticos e sociais da pessoa, prestou um desserviço para a comunicação social, uma vez que encoraja a atuação de grupos radicais de perseguição de minorias, podendo, inclusive, aumentar a intolerância e a violência contra os ateus.

“Evidentemente, houve atitudes extremamente preconceituosas uma vez que as declarações do apresentador e do repórter ofenderam a honra e a imagem das pessoas ateias. O apresentador e o repórter ironizaram, inferiorizaram, imputaram crimes, 'responsabilizaram' os ateus por todas as 'desgraças do mundo'”, afirma o procurador.

O procurador ainda ressalta que todos têm direito a receber informações verídicas, não importando raça, credo ou convicção político-filosófica, tendo em vista que grande parte da sociedade forma suas convicções com base nas informações veiculadas em programas de rádio e televisão.

Pedidos

Na ação, o MPF pede ainda que a emissora apresente um quadro com esclarecimentos à população sobre a diversidade religiosa e da liberdade de consciência e de crença no Brasil, com duração de no mínimo o dobro do tempo usado para exibição das mensagens ofensivas. Segundo o MPF, Datena criticou os ateus durante mais de 50 minutos.

A Procuradoria quer ainda que a União, através da Secretaria de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, seja obrigada a fiscalizar o programa.

O blecaute de 2009 e o apagão de 2001/2002

Do blog Cidadania

Dois problemas absolutamente distintos de fornecimento de energia elétrica durante os governos FHC e Lula tiveram tratamentos absurdos na grande imprensa brasileira. O racionamento de energia do governo tucano ocorreu entre junho de 2001 e fevereiro de 2002, com duração de cerca de nove meses; o blecaute durante o governo petista (2009) durou cerca de oito horas.

Matérias do jornal Folha de São Paulo sobre o longo racionamento de energia tucano e sobre a falta episódica de luz de algumas horas durante o governo do PT revelam uma postura inexplicável da imprensa diante desses fatos tão distintos, tratados como se fossem a mesma coisa.

A bem da verdade, vale notar que a Folha foi o único grande meio de comunicação que ousou um pouco mais nas críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso por este ter permitido uma crise que chegou a quebrar empresas e que infernizou por quase um ano a vida da população.

Os brasileiros começaram a saber que seriam submetidos a um racionamento draconiano de energia elétrica já em janeiro de 2000. A princípio, a imprensa se limitava a divulgar desmentidos do governo de que haveria tal racionamento.

Em 30 de janeiro 2000, um ano e meio antes do início do racionamento, a Folha publica matéria em que o então ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, garantia ser inexistente o risco de racionamento. Apesar da escassa cobertura do assunto pela imprensa, nas poucas matérias que foram surgindo nos meses seguintes o governo sempre negava o problema.

Seis meses depois, em 3 de junho de 2000, um ano antes do início do racionamento, Antonio Ermírio de Moraes entregou a Deus a possibilidade de se evitar racionamento de energia elétrica no Brasil a partir do próximo ano. “Se São Pedro não for brasileiro, nós vamos passar mal. Só Deus evitará racionamento“.

Três dias depois (06/06/2000), o ministro de Minas e Energia do governo tucano volta a negar o racionamento.

Até o fim daquele ano, a Folha só publicou sete matérias sobre o racionamento que ia se tornando cada vez mais inevitável. Em 19 de janeiro de 2001, ano em que seria decretado o racionamento, o jornal finalmente toca no assunto racionamento. Só que na… Califórnia.

Nos dias 20, 24, 27 de janeiro e em 17 de fevereiro, o racionamento de energia no estado norte-americano da Califórnia volta a ser noticiado na Folha enquanto o segundo maior país das Américas se preparava para mergulhar no maior racionamento de energia de sua história.

Em 3 de março de 2001, do nada, o jornal paulista sai na frente do resto da imprensa, que evitava o assunto, e, em matéria discreta que não ganhou nem chamada na primeira página, diz, em bom tucanês, que, “Se não chover em março, já a partir de maio é possível que o governo seja obrigado a adotar um controle no consumo de energia.

Dez dias depois, a Folha volta a culpar São Pedro pelo apagão que até as rotativas do jornal sabiam que sobreviria. Em 13 de março de 2001, três meses antes do início do racionamento, o jornal paulista anuncia, ainda de forma discreta, sem chamada na primeira página, que “Falta de chuva já é preocupante”.

No dia seguinte (14/03/2001), a dois meses e meio do racionamento, o apagão virá boa notícia na Folha: “Poupar luz dará prêmio”. Vale a pena ler este trecho da matéria:

O novo ministro de Minas e Energia, José Jorge, disse ontem que o governo adotará medidas de “racionalização” e não de “racionamento” para evitar o risco de falta de energia elétrica.

Essa possibilidade existe porque o nível dos reservatórios de água das hidroelétricas das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste está baixo. O objetivo da racionalização, de acordo com o ministro, é diminuir o consumo no horário de maior demanda.

De acordo com José Jorge, “racionamento é uma medida unilateral” que ainda não está sendo estudada. Já na racionalização, segundo o ministro, poderá haver incentivo para que os consumidores residenciais diminuam o consumo (…)”

Mais 3 dias e o racionamento, sempre longe da primeira página, já vai ganhando contornos de realidade. Detalhes de medida que não haveria vão sendo enfiados pela goela do consumidor. Em 16 de março, o jornal anuncia que “Iluminação pública e residências seriam atingidas por racionamento estudado”.

O único racionamento chamado pelo nome que ganha as páginas da Folha é o da Califórnia. Em 20 de março, a cerca de dois meses do racionamento verde-amarelo, o jornal divulga que “Racionamento volta a atingir” um estado da superpotência, o que parece sugerir que se acontece por “lá”, não haveria nada de mais se acontecesse por aqui.

No mesmo dia, ainda sem usar a palavra racionamento, a Folha diz que “Consumo de energia pode ter corte em maio”. Até então, o assunto jamais ganhara a primeira página.

Finalmente, em 22 de março de 2001, o jornal paulista reconhece, em editorial, que pode haver racionamento de energia do Brasil e faz uma espécie de crítica, ainda que com as devidas concessões à culpa de São Pedro. Sempre longe da primeira página.

Em 4 de abril de 2001, a menos de dois meses do início do racionamento, o jornal já utiliza o termo que define o que irá acontecer, mas continua se atendo aos esforços do governo para evitar que haja racionamento. Não há críticas, mas matérias sóbrias e técnicas, cheias de eufemismos.

No dia seguinte, o termo racionamento finalmente é substituído por “apagão” e a Folha anuncia que depois da Páscoa o Brasil será obrigado a economizar energia compulsoriamente. Mas o foco da matéria é na campanha publicitária “educativa” que o governo desencadeará, então, para que o consumidor faça a sua parte.

No dia 7 de abril de 2001, mais um editorial sem críticas que se limita a analisar a situação e a reconhecer que o racionamento é iminente. As palavras incompetência, imprevidência e as necessárias menções a falta de investimento não aparecem nem uma vez.

Em 12 de abril, a cerca de um mês e meio do racionamento, finalmente uma crítica na página de opinião. Carlos Heitor Cony escreve uma crônica ironizando a “modernidade” que FHC e a mídia diziam que o país alcançara no governo tucano, sob o título “Bela modernidade”. No mesmo dia, outra coluna culpa Antonio Carlos Magalhães – e não FHC – pelo problema.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O que a Globo teima em não mostrar

Do Conversa Afiada

Vídeo que o jn não mostra.
O PAC na Rocinha

O PAC desempacou. Quem empacou foi o jn

O Conversa Afiada aceita sugestão do Stanley Burburinho, o reparador de iniquidades (quem será Stanley Burburinho?):

Assunto: Exclusivo: TV Popular da Rocinha Mostra o PAC

Exclusivo: TV Popular da Rocinha Mostra o PAC.

A partir de dica do @williamrocinha, Presidente do Movimento Popular de Favelas, Vice Presidente do Fórum de Turismo da Rocinha.


Dilma quer continuidade na segurança

Via Blog do Favre

Dilma quer Exército no Rio até a Copa e planeja espalhar modelo pelo Brasil


Satisfeita com ação no Alemão, presidente eleita já cogita, entre outras medidas, o patrulhamento da Baía de Guanabara pela Marinha

Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE
Troca. Parceria benéfica também para as Forças Armadas


Bruno Paes Manso – O Estado de S.Paulo

Baía de Guanabara patrulhada pela Marinha. Envio de tropas e equipamentos militares para cercar e livrar outras comunidades fluminenses do tráfico e garantir investimentos sociais nesses lugares. Repetição da parceria entre polícias e Forças Armadas em outras capitais com problemas de segurança. O sucesso da invasão no Complexo do Alemão, no domingo, deixou a presidente eleita, Dilma Rousseff, entusiasmada e vai servir de modelo a novas ações em seu mandato, que acaba cinco meses depois da Copa de 2014.

O Rio de Janeiro foi considerado um excelente “laboratório”, com resultados “mais do que satisfatórios”, para testar o uso de Exército, Marinha e Aeronáutica no combate ao crime. Por isso, deve ser repetido. O tema foi debatido na noite de anteontem em Brasília durante reunião entre o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, a presidente eleita e o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.

O relato do encontro entre o grupo foi feito ao Estado por Pezão. Das três horas de reunião, duas foram ocupadas pela parceria. “Nós não queremos cargos nem ministério. Queremos ajuda das Forças Armadas na segurança pública e para fazer obras dentro das favelas”, disse Pezão.

Segundo o vice-governador, o modelo de parceria entre Exército e polícia deve nortear a política de segurança pública da presidente eleita, que vai suceder dois mandatos presidenciais duramente criticados pela omissão no setor. “Dilma se mostrou entusiasmada em poder colocar tanto homens quanto equipamentos à disposição. Quando assumiu, o governador Sérgio Cabral disse que até o fim do mandato iria entregar todos os territórios livres de milícias e do tráfico. Esse objetivo se torna mais concreto com a parceria que nos foi oferecida”, afirmou Pezão.

Na avaliação do vice-governador, a parceria será benéfica também para as Forças Armadas. “Sempre se ouve aquela crítica: “Estão (os militares) ajudando no Haiti, por que não ajudam o Rio de Janeiro e o Brasil?” Isso vai mudar depois da experiência que tivemos aqui”, diz. O governador Sérgio Cabral ainda participa hoje de reunião com o comandante militar do Leste, general Adriano Pereira Júnior, para discutir os rumos da operação.

Lula. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ontem que as Forças Armadas continuarão combatendo o tráfico de drogas no Rio por tempo indeterminado. Em entrevista após visita às obras da Usina Hidrelétrica de Estreito, no Estado do Maranhão, ele ressaltou que o governo federal está determinado a ajudar o Estado a resolver o problema da criminalidade. “(As tropas) vão ficar o tempo que for necessário para garantirmos a paz”, disse.

Lula ressaltou a importância da parceria dos governos federal e estadual para as ações contra o tráfico. E observou que o governo federal só pode enviar tropas após pedido formal do governador, como prevê a Constituição. “Eu fiquei feliz por o Sérgio Cabral ter pedido apoio. Nós não podemos interferir. Ele teve sensibilidade, humildade e competência de pedir o apoio e prontamente atendemos”, disse.

Lula observou ainda que foi no seu governo que as Forças Armadas passaram a atuar com poder de polícia na vigilância das fronteiras. “Agora, conseguimos que façam o controle das fronteiras.” O presidente também destacou que o governo estuda a compra de aviões de Israel para o patrulhamento e o combate ao crime organizado. “Vamos controlar melhor nossas fronteiras”, prometeu. / COLABOROU LEONÊNCIO NOSSA

Postado por Luis Favre