segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Progressista, independente, de esquerda = ousar, desafiar...

Do Vi o mundo

Abrir caminho, sempre

por Luiz Carlos Azenha

Nas últimas semanas uma fatia significativa da direitona brasileira admitiu o óbvio: o presidente Lula foi melhor que o presidente FHC e não apenas uma continuação dele.

A Folha de S. Paulo, doente de pesquisismo, escondeu seu diagnóstico atrás da “descoberta” de que 83% dos brasileiros consideraram o governo Lula ótimo ou bom.

A gente, da blogosfera progressista, já sabia disso.

“No pós-ditadura, nenhum presidente eleito diretamente deixou o cargo tão bem avaliado, o que se explica sobretudo pela melhora do emprego, da renda e de sua distribuição”, escreveu a Folha em um caderno especial, publicado no mesmo dia em que o jornal, em editorial de primeira página, admitiu: o governo Lula, cheio de defeitos, foi bom.

E, no entanto, por dizer exatamente isso na campanha eleitoral nós, blogueiros progressistas e leitores progressistas, fomos tachados de sujos, de chapa-branca, de vendidos e de outros adjetivos. O resumo dos xingamentos está no inesquecível discurso do deputado derrotado Marcelo Itagiba, no Congresso. Os impropérios continuam, como notou o Miguel do Rosário a propósito do texto de um colunista do Estadão. São tão poucos os leitores deles que já não vale a pena promovê-los.

O que isso nos diz sobre a blogosfera progressista? Diz que em 2010 fizemos, sim, a diferença. Enquanto alguns se entregavam ao onanismo intelectual, perguntando se “progressista” não era algo datado, do século 19, se não seria melhor usar “independente”, “de esquerda” ou “do diabo”, nós fizemos a diferença ao desmoralizar a bolinha de papel, ao desencavar o que foi dito sobre a privatização da Petrobras, ao demonstrar que o candidato da direita não era apenas o do atraso, mas também da hipocrisia e da mentira. O que quero dizer é que fomos suficientemente ágeis, pragmáticos e leais uns aos outros e às nossas ideias e que isso deu mais resultado que qualquer debate estéril sobre o sexo dos anjos.

Fiquei igualmente satisfeito pelo fato de que um grupo de blogueiros sujos conseguiu, no Palácio do Planalto, algo que o PIG não conseguiu ao longo dos dois mandatos de Lula: definir claramente os limites do governo que finda.

Hoje, na Folha, em “Ecos da Ditadura”, o articulista Fernando de Barros e Silva lamenta o papel de Nelson Jobim no debate sobre a Comissão de Verdade. Barros atribui a Jobim “pressão obscurantista”. Isso também a gente já sabia. Está na pergunta que Leandro Fortes fez ao presidente no Palácio do Planalto. Assim como estiveram nas perguntas de Rodrigo Vianna, Eduardo Guimarães, Conceição Oliveira e Altamiro Borges os limites de Lula nas questões da comunicação, educação e direitos trabalhistas.

Nós, da dita blogosfera progressista, fomos os primeiros a reconhecer a ousadia do Itamaraty na política externa, quando os chanceleres de pijama que frequentam as colunas de opinião dos grandes jornais pregavam a invasão da Bolívia e a derrubada de Hugo Chávez. Só depois de descobrir que o Departamento de Estado de Hillary Clinton estuda o Itamaraty para descobrir como o Brasil ganhou peso internacional sem uma única ogiva nuclear é que a grande mídia brasileira vai dizer, sobre a política externa de Lula, o que nós já sabíamos.

Afinal, foi só depois do vazamento dos telegramas diplomáticos do WikiLeaks que nossa mídia “descobriu” o que denunciamos na campanha eleitoral: na questão do pré-sal, José Serra era owned pelas petroleiras.

Ser blogueiro “progressista”, “de esquerda”, “independente”, “sujo” ou o que quer que seja é isso: abrir caminho, ousar, desafiar o lugar comum, peitar o discurso único e, acima de tudo, se divertir com a incompetência, o horizonte limitado e a submissão intelectual de nossas grandes redações. Feliz 2011 a todos!

sábado, 25 de dezembro de 2010

VALEU LULA. NOSSO PRESIDENTE!



DO QUANTO O TEMPO DURA, VIA BLOG MARIA FRÔ

FELIZ NATAL. MUITA PAZ PARA TOD@S!



Caixas de tamanhos diversos,
cores mil, laços bordados em todos os extremos,

Vitrines com cenários Natalinos,
com o verde acenando a esperança
Rumo ‘a vidas sem dores e guerras

As fitas dos presentes se desembrulham,
caem livremente, como na dança de um corpo ritmado

O espírito do amor baila pelos ares,
exalando a pétala da bondade
Suave e profunda, acaricia os rostos embriagados pela desilusão

Os espinhos são contemplados por olhares profundos
Mesclam-se nas pétalas que formam pedaços de flores
Unidos em só canção
Nas vozes trêmulas de anjos
Gotejam a alma faceira
De um mundo mais harmônico
Celebrando a aspirante PAZ.


Autora: Débora Villela Petrin




sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

"O coração da população de rua está repleto de gratidão do senhor"

Do Blog Os Amigos do Presidente Lula

Catadores de papel se despedem de Lula e agradecem por vida melhor. Lula chora

Presidente leva Dilma e quase todo o seu ministério para a festa de Natal na capital paulistaEm festa. Catadores de papel agradecem a Lula: "O coração da população de rua está repleto de gratidão do senhor"


O Presidente Lula chorou ontem durante a festa de Natal com 2.200 catadores de papel em São Paulo - tradição que mantém desde o início de seu primeiro governo e que pretende seguir em 2011, no governo de sua sucessora Dilma Rousseff (PT). Ele se emocionou quando duas mulheres que vivem da coleta de material reciclável o agradeceram. "O coração da população de rua está repleto de gratidão ao senhor", declamou Maria Lúcia Santos Pereira, do Movimento Nacional dos Catadores de Rua.

A Dilma - chamada em música de "mulher guerreira", e ela respondeu dançando no palco -, o pessoal da rua pediu que dê continuidade ao programa de Lula. "Advogue essa causa, não nos deixe esquecidos", clamou Matilde Ramos da Silva, catadora no município de Ourinhos (SP). "Contem comigo", prometeu a presidente eleita.

Ela afirmou que "não vai descansar" enquanto não tirar os catadores dos lixões. Disse que se empenhará para o reconhecimento da profissão, para a organização de cooperativas e para que todos tenham renda suficiente para darem vida digna a seus filhos.

Não eram só brasileiros na festa. Catadores peruanos, colombianos, argentinos e de outros países foram ao encontro na Vila Guilherme, zona norte da capital. Lula pediu a todos que orassem pelo vice-presidente José Alencar, que luta contra um câncer no abdome. Padre Júlio Lancellotti puxou o Pai Nosso. "O Zé Alencar disse que até mesmo em cadeira de rodas ele vai à posse da Dilma. Com essa energia positiva de vocês tenho certeza que ele vai poder cumprir seu desejo", disse Lula.

Foi um dos últimos compromissos públicos do Presidente antes do fim de seu mandato. Lula levou para a festa quase todo o seu ministério. Ele e Dilma autografaram camisetas e receberam mimos dos catadores, que se apresentaram com danças e cânticos "ao presidente "saínte" e à presidente entrante", nas palavras de Lula, que anunciou programas de ajuda aos catadores com recursos públicos e assinou decreto de regulamentação da política nacional de resíduos sólidos com engajamento de cooperativas.

Em seu pronunciamento, disse que "catar papel não pode ser mais vergonha". "Morador de rua não é caso perdido nem caso de polícia. É um caso de amor, de paixão e de políticas públicas, que não se trata com cassetete."

O presidente reprovou administradores que hesitam em firmar convênios com cooperativas de catadores. Citou Gilberto Kassab (DEM), prefeito de São Paulo. "Trata o pessoal da Granja Julieta com carinho Kassab, pelo amor de Deus."

Lula confirmou que serão entregues à cooperativa dos catadores 140 caminhões por meio de um programa com recursos do BNDES e do Banco do Brasil. "O senhor tem noção do que fez pela nossa vida? Só saí do lixão por causa das suas políticas públicas. Podemos ser reconhecidos como profissionais, como trabalhadores", afirmou Matilde.

Lula disse que no Natal do ano passado recomendou aos jornalistas reportagem sobre os catadores. "Para minha surpresa no outro dia eu li no jornal que fiz crítica à imprensa. Ao invés de dizerem que eu fiz uma sugestão alguns disseram que eu queria ensinar a fazer jornalismo. Vocês sabem qual é o problema do Brasil? É que muita gente continua agindo como agiam há 20 anos sem se dar conta que o mundo mudou."

Ao final, pediu. "Estou apenas deixando a Presidência, mas se vocês me convidarem no Natal do ano que vem eu estarei aqui outra vez."Agência Reuters

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

E a greve dos sonhos do PIG fracassou

Do Conversa Afiada

PiG (*) não consegue fechar aeroportos. Acabou a greve.


Thomas Jefferson: vai ser um incêndio por dia

Manchete do Globo de ontem:

“Ameaça de greve pode parar amanhã aeroportos do país – fracasso (sic) da negociação de aeroviários e empresas põe em risco viagens de Natal.”

Manchete do Globo de hoje:

“Lula apela (provavelmente de joelhos – PHA) a Jobim para evitar o caos aéreo no fim do Governo.”

Manchete do Globo na web, nesta quinta-feira de manhã:

“Sindicatos desistem da greve”

Ou seja, o PiG convocou a greve.

E a greve fracassou.


...NAVALHA...


Navalha

Na quarta-feira 29 de setembro de 2010, o grande estadista piguento, Thomas Jefferson, o herói do mensalão da Folha (**) anunciou, na pág. 2 do Globo: “Vamos incendiar o país. Esse Governo Dilma vai dar manchete todos os dias”.

O incêndio é o “caosaéreo”.

O “caosáereo” de hoje é o mesmo com que o PiG (*) tentou derrubar o Lula, duas vezes: quando os pilotos americanos do Legacy não ligaram o transponder e mataram 164 brasileiros; e quando caiu o avião da TAM – por falha humana – no aeroporto de Congonhas.

O PiG vai incendiar o país.

A Dilma ainda não viu nada.

E se não controlar a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Institucional será um incêndio com cama de gato.

O Globo deveria pagar royalties à grande especialista em ASSUNTOS DO AR: a colonista (***) Eliane Catanhêde: foi ela quem disse que o Lula precisa mais do Johnbim do que o Johnbim do Lula.

Nos bons tempos da ditabranda, o que o PiG faz hoje – convocar greve e instalar o caosaéreo – dava um bom processo por subversão da ordem pública e incitação à desordem.

Agora, não.

O Brasil assegura a mais irrestrita liberdade aos donos da imprensa.

Viva o Brasil !

E vamos para a Bahia !


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Nunca antes na história deste país... o desemprego esteve tão baixo.

Via blog do Alexandre Porto
Desemprego fica em 5,7% em novembro e renova recorde de baixa


"Nunca o mercado de trabalho esteve tão bom quanto neste ano, não só pelo indicador de desocupação, mas também pela qualidade do emprego gerado". "Não achava que estaria vivo para ver", diz Lula sobre desemprego

A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 5,7% em novembro, ante 6,1% em outubro, em novo nível recorde de baixa na série histórica, informou nesta sexta-feira, 17, o instituto. Em novembro de 2009, era de 7,4%.

Já o rendimento médio real dos trabalhadores caiu 0,8% em novembro ante outubro, mas subiu 5,7% na comparação com novembro do ano passado.

A população desocupada atingiu 1,359 milhão de pessoas em novembro, segundo dados do IBGE. O número é o menor da série histórica, que começou em 2002 e representa uma queda de 5,9% em relação a outubro e de 20,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já a população ocupada atingiu 22,4 milhões em novembro, o que representa um incremento de 0,2% frente a outubro - visto como estabilidade pelo IBGE - e um aumento de 3,7% na comparação com novembro de 2009.

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (10,4 milhões) em novembro de 2010 ficou estável na análise mensal e cresceu 8,7% na comparação anual (ou mais 839 mil postos de trabalho com carteira assinada).

Massa de renda - A massa de renda real (descontada a inflação) habitual dos ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País chegou a R$ 34,4 bilhões em novembro de 2010, com queda de 0,6% ante outubro e aumento de 9,6% ante novembro 2009, informou o IBGE. Já a massa de renda real efetiva, sempre referente ao mês anterior ao da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ficou em R$ 34,4 bilhões em outubro de 2010, estável ante mês anterior, e registrou um aumento de 10,4% na comparação com outubro do ano passado. O rendimento médio real dos trabalhadores (R$ 1.516,70) recuou 0,8% no mês e cresceu 5,7% frente a novembro do ano passado.

Índice - O índice de desemprego do IBGE mede apenas o desemprego aberto, ou seja, quem procurou emprego nos 30 dias anteriores à pesquisa e não exerceu nenhum tipo de trabalho -remunerado ou não- nos últimos sete dias. Quem não procurou emprego ou fez algum bico na semana anterior à pesquisa não conta como desempregado para o IBGE. A pesquisa abrange as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.



Contratação de temporários derruba desemprego em novembro, diz IBGE

A contratação de temporários para as vendas de fim de ano contribuiu para que a taxa de desocupação em novembro atingisse 5,7% em novembro nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o menor patamar da série iniciada em 2002. Outro recorde de baixa foi o da população desocupada, que com 1,359 milhão de pessoas bateu no menor patamar da série.

Como resultado do desempenho do mercado de trabalho em novembro, a taxa média de desocupação no ano atingiu 6,9%, o menor patamar da série para o período janeiro-novembro, com queda de 16% em relação à média dos 11 primeiros meses de 2009, o que também representou o maior recuo percentual desde o início da série, empatando com a baixa observada entre 2007 e 2008.

"Em todas as regiões metropolitanas a desocupação é a menor da série, com exceção feita ao Recife, onde os 8,4% são o segundo menor da série, abaixo dos 8% de outubro", frisou Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME).

A queda na taxa de desemprego entre outubro e novembro foi puxada pelo Rio de Janeiro, onde a taxa teve expressiva redução entre outubro e novembro, passando de 5,7% para 4,9% no período. Azeredo lembrou que o setor do comércio no Rio puxou as contratações no mês passado, com 54 mil novos empregos no setor, já turbinado pelas expectativas de vendas de fim de ano. "É normal ter uma inclinação para baixo na desocupação no Rio em novembro", disse Azeredo, lembrando que o comportamento também costuma se repetir na média das seis regiões metropolitanas.

Na média do ano, Azeredo destacou não apenas a queda da desocupação, mas o aumento da qualidade no mercado de trabalho. Em novembro, as seis regiões metropolitanas contavam com 10,449 milhões de empregados com carteira, o que representou um aumento de 109 mil vagas formais na comparação com outubro e um crescimento de 839 mil em relação a novembro do ano passado.

Na média entre janeiro e novembro o número de empregados com carteira no setor privado atingiu 10,159 milhões, o maior da série histórica iniciada em 2003, um crescimento de 7,1% frente à média de 9,487 milhões nos 11 primeiros meses do ano passado.

Segundo o economista do IBGE, a pesquisa de novembro comprova a recuperação do mercado de trabalho brasileiro. O indicador vem trajetória de queda desde 2003, início do governo Lula. Naquele ano, a taxa média de desemprego acumulada entre janeiro a novembro era de 12,5%. Hoje, essa taxa está em 6,9%, a menor da série histórica iniciada em março de 2002.

"A prévia de fechamento do ano, no que diz respeito à taxa de desocupação, mostra que a média dos 11 meses foi a menor desde o início da série da pesquisa. A taxa está em outro patamar, tendo apresentado a maior variação de um ano para outro", disse. E completou: "Estamos diante da menor taxa de desocupação da pesquisa. Diante do menor volume de pessoas desocupadas e do maior nível de ocupação da série. Além do emprego ser de maior qualidade e de uma menor informalidade", completou.

Não achava que estaria vivo para ver, diz Lula sobre desemprego

O presidente Lula interrompeu a ordem de discursos dos presidentes na reunião plenária da cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), para comemorar a queda da taxa de desemprego, anunciada pelo IBGE pela manhã. "Eu não achava que estaria vivo ao receber uma notícia como esta", disse.

Ele informou aos presentes no encontro que o desemprego no País atingiu em novembro 5,7%, a menor taxa da série histórica iniciada em março de 2002. "Há dez anos, a gente pensava que isto acontecia em outros países. Agora está acontecendo nas bandas do Mercosul e da América Latina. Esta é uma conquista extraordinária", finalizou.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Prezado presidente Lula! Meu Presidente!

Do Portal Luis Nassif

Steinbruch e a despedida de Lula


Da Folha

BENJAMIN STEINBRUCH

Prezado presidente Lula

Não é fácil presidir um país com o tamanho e com a complexidade do Brasil, mesmo com boas intenções

DENTRO DE DEZ dias estará encerrado seu período no comando do país. Nós todos, que sempre sonhamos com um Brasil desenvolvido e próspero, o aplaudimos quando conseguiu, depois de três tentativas frustradas, chegar à Presidência, com 52,4 milhões de votos.

É justo reconhecer que havia alguns receios, principalmente por causa de seu passado radical e de sua falta de experiência administrativa. Adversários se aproveitaram disso para assustar o país com previsões de catástrofe.

Então, o senhor escreveu uma carta ao povo e prometeu respeitar contratos, combater a inflação e, mais importante, remover obstáculos que impediam, durante longos anos, o crescimento da economia.

Entre as suas promessas, presidente, estavam criar 10 milhões de empregos, incentivar a construção habitacional e apoiar a empresa nacional, pequena ou grande.

Mais do que ninguém, por sua origem nordestina e operária, conhecia os problemas dos pobres. Comprometeu-se a combater a fome que atingia 22 milhões de pessoas e a pobreza, que sufocava 53 milhões de brasileiros.

Lembro-me de que ao lhe desejar boa sorte, escrevi aqui na Folha que sua eleição decorria desses compromissos que não poderiam ser abandonados, sob pena de frustrar o povo que acabara de cativar.

Sua vantagem era a ousadia que desaparecera nos anos anteriores, em que prevalecera a falta de apetite para o desenvolvimento e a acomodação com planos de estabilização monitorados pelo FMI.

Estávamos acostumados a usar a desculpa da falta de recursos para tudo: para a fome, para a violência, para justificar as escolas de péssima qualidade, os juros que esfolavam as empresas, a falta de moradias, a saúde em frangalhos e os buracos nas estradas.

Mas, mesmo com boas intenções, não é fácil presidir um país com o tamanho e a complexidade do Brasil. No começo, talvez para mostrar que não iria flertar com heterodoxias radicais de triste memória, o senhor adotou políticas que mantiveram um jeito muito conservador de conduzir a economia. Depois, houve um momento de decepção, em que poderia ter sido mais duro com desmandos dentro do governo.

Os programas sociais foram muito bem-vindos e tiraram da pobreza 11 milhões de famílias logo no primeiro mandato. Só no segundo, porém, o senhor demonstrou obstinação para adotar a política desenvolvimentista, com a criação do PAC e os investimentos em infraestrutura, ainda que a política monetária continuasse a frear a economia.

Quando veio a crise global, no fim de 2008, sua condução foi correta: redução de tributos sobre itens importantes para incentivar o consumo e a criação de emprego, estímulo ao crédito e outras medidas para fortalecer o mercado interno. Em pouco tempo, depois do susto inicial, o consumo interno crescia em ritmo chinês e o emprego se recuperava, mesmo tendo o Banco Central resistido em usar o instrumento poderoso da redução de juros.

Ao passar a faixa presidencial a Dilma Rousseff, dentro de dez dias, o senhor estará entregando também um país em franco crescimento econômico, com taxa de expansão próxima de 8%, algo que não se conseguia havia muitos anos.

Talvez seja o caso de sugerir a Dilma que faça o esforço que for necessário para manter o país em um ritmo de crescimento parecido com esse que o senhor conseguiu -para isso, ela terá de baixar juros, cuidar do câmbio e reduzir custos para o setor privado. E sugerir também, já que ela é do seu partido, que tente cumprir algumas tarefas que o senhor não conseguiu concluir.

Como brasileiro, agradeço pelo seu empenho nesses oito anos de trabalho. Espero que sua sucessora, a primeira mulher a ocupar a Presidência, tenha a coragem de assumir, como o senhor o fez, um projeto de desenvolvimento nacional.

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BENJAMIN STEINBRUCH, 57, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp. Escreve às terças, a cada 15 dias, nesta coluna.