domingo, 22 de maio de 2011

Dilma precisa fazer uma escolha agora.

Do Escrevinhador

Palocci e as escolhas de Dilma

publicada sábado, 21/05/2011 às 19:27 e atualizada sábado, 21/05/2011 às 20:21
por Rodrigo Vianna
A denúncia contra Palocci parece consistente. Ah, mas a “Folha” quer desgastar a Dilma… E daí? O fato ocorreu ou não?
Ah, mas a denúncia foi vazada por “ruralistas” interessados em enfraquecer o ministro. E daí, de novo? É só quando os poderosos divergem que essas coisas vêm à tona…
Sim, Palocci (contradição do mundo real?!) cumpria nesse caso um papel positivo: negociava duramente com os ruralistas da base governista, para que aceitassem um Código Florestal menos retrógrado do que o proposto por Aldo Rebelo.
Por isso, criticar Palocci agora – dizem alguns apoiadores de Dilma – é fazer “o jogo da direita”. Será?
Aliás, se o caso surgiu como “fogo amigo” de dentro da base governista, por conta da votação do Código Florestal, a essa altura parece ter ganho dinâmica própria. Os jornais já relacionam o enriquecimento de Palocci à campanha de Dilma. Vale a pena manter um ministro que traz esse grau de instabilidade ao governo?
Quem acompanhou os bastidores da campanha eleitoral de 2010 sabe qual foi a opção de Dilma e do núcleo dirigente do PT no primeiro turno: tentaram ganhar a eleição só com o programa de TV e a popularidade do Lula. A idéia era ganhar sem fazer política. No primeiro turno, foi assim: campanha controlada pelo marqueteiro e pelos 3 porquinhos (Palocci, Dutra e Zé Eduardo).
Quem fez política foi o Serra. Politizou pela direita: trouxe aborto e religião para a campanha. Com isso, empurrou milhões de votos pra Marina, e levou a eleição pro segundo turno. Aí, a ficha no PT caiu. Dilma e o núcleo da campanha finalmente compreenderam o que já estávamos vendo na internet há semanas: o terrorismo conservador. Dilma deixou os conselhos do marqueteiro de lado, teve coragem de ir pra cima no debate da “Band” (primeiro domingo do segundo turno): pendurou no pescoço do Serra a história do aborto (a mulher de Serra tinha dito que Dilma gostava de “matar crancinhas”), falou em Paulo Preto, reanimou a militância.
Se Dilma tivesse insistido no figurino do primeiro turno, poderia ter perdido a eleição. Pesquisas internas, pouco antes do debate da Band, davam apenas 4 pontos de diferença sobre Serra no início do segundo turno. Foi a realidade que levou Dilma a mudar de figurino.
Pois bem. Passada a eleição, Dilma montou o ministério e começou a governar. Como? Com o figurino idêntico ao usado no primeiro turno da eleição:  sem política, longe dos movimentos sociais, procurando agradar o “mercado” e a “velha mídia”. Foi uma escolha.
Palocci tem a ver com isso. Coordenou a campanha. Ele quer um governo moderadíssimo, que não assuste a turma a quem dá “consultoria”.
Logo no início do governo, estava claro que Dilma procurava ocupar um espaço mais ao centro. Lula tinha (e tem) apoio da esquerda tradicional, dos movimentos sociais, do povão que saiu da miséria. Dilma foi em direção à classe média que lê a “Veja”. Com Palocci à frente. Palocci é amigo da “Veja” e da “Globo”. Palocci é blindado na “Globo”. Perguntem ao Azenha o que aconteceu na Globo quando ele tentou fazer uma reportagem sobre o irmão do Palocci, 5 anos atrás…
Renato Rovai publicou em seu blog um texto que mostra a repercussão desastrosa – para o governo – do caso Palocci nas redes sociais. Como aconteceu na eleição, com o aborto e a onda consevadora: primeiro os temas batem na internet, depois chegam às ruas.
Assim como ocorreu na eleição, Dilma talvez perceba que o figurino palocciano não garantirá estabilidade ao governo. Com quem ela vai contar quando enfrentar crise séria? Com a família Marinho? Com os banqueiros?
Dilma segue com popularidade alta. Mas o caso Palocci mostra os limites do governo. E os riscos que ela corre diante da primeira crise mais grave. Pode faltar base social…
Mas, seja qual for a escolha de Dilma (ela a essa altura parece mais próxima de optar por um acerto “por cima”, com os que mandam nas finanças e nas comunicações do Brasil), é inaceitável que o governo vote o novo Código Florestal sob chantagem dos ruralistas.
O governo está sob pressão dos ruralistas, que dizem nos bastidores: “a oposição pode maneirar com o Palocci, desde que passe o Código Florestal que nós queremos!”
O texto vai a votação na terça.
Hoje, o governo Dilma corre o seguinte risco: aceitar a chantagem dos ruralistas pra salvar Palocci e… não conseguir salvar Palocci. Seria um desastre.
Dilma precisa fazer uma escolha agora. Semelhante à que ela fez naquele debate na “Band”, no início do segundo turno. A quem ela pretende agradar? À turma do Palocci, ou à turma que foi à rua e garantiu a vitória dela enfrentando a onda conservadora que Serra trouxe para o debate?
A oposição está enfraquecida. O lulismo é forte e dominante no país. Mas o governo Dilma parece frágil. Equação estranha. É preciso aproximar o governo Dilma do lulismo. Dilma ganhou por causa disso. Vai governar, de verdade, se estiver alinhada ao lulismo.
Leia outros textos de Palavra Minha

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O CAVALEIRO DA TRISTE FIGURA

DO CONVERSA AFIADA

FHC é o cavaleiro da triste figura




Extraído do Blog do Miro:

FHC e o cavaleiro da triste figura


Por Izaías Almada, no Blog da Boitempo:


Elevado à invejável condição de conselheiro da oposição venezuelana ao presidente Hugo Chávez (provavelmente a oposição mais incompetente e retrógrada da América Latina) e tal qual um Dom Quixote às avessas, o sociólogo e ex-senador da República,Fernando Henrique Cardoso, que durante oito anos ocupou a presidência da República Federativa do Brasil, tem aproveitado alguns espaços que lhe concede a mídia nativa para deitar falação sobre aquilo que entende ser ainda da sua competência, investindo contra moinhos da sua não tão rica imaginação.


Conhecido por sua capacidade em ser prolixo ou mesmo de causar alguma entropia ao expressar o próprio pensamento, questão abordada com acuidade pelo pensador e humorista Millôr Fernandes, o incansável sociólogo costuma perorar contra o findo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, arriscar algumas profecias sobre o que poderá ser o governo da presidenta Dilma Roussef e, ainda sob a ressaca da derrota de seu fiel escudeiro nas últimas eleições presidenciais, arriscar opiniões sobre os caminhos que a oposição brasileira deveria trilhar nos próximos anos, como, por exemplo, deixar o povão de lado e se embrenhar mais pelos rincões da classe média de cabeça feita pela velha mídia e por alguns blogues limpinhos e cheirosos. Ou que seu partido deve se aliar ao que de mais conservador existe no cenário partidário no Brasil, o DEM.


Dele, disse há algum tempo Millôr Fernandes em um de seus implacáveis escritos:


“De uma coisa ninguém podia me acusar — de ter perdido meu tempo lendo FHC (superlativo de PhD). Achava meu tempo melhor aproveitado lendo o Almanaque da Saúde da Mulher. Mas quando o homem se tornou vosso Presidente, achei que devia ler o Mein Kampf (Minha Luta, em tradução literal) dele, quando lutava bravamente, no Chile, em sua Mercedes (“ A mais linda Mercedes azul que vi na minha vida”, segundo o companheiro Weffort, na tevê, quando ainda não sabia que ia ser Ministro), e nós ficávamos aqui, numa boa, papeando descontraidamente com a amável rapaziada do Dops-DOI-CODI.”


Como todo bom autista político, o senhor FHC diz que seu partido deve esquecer o povão. E eu pergunto: desde quando o PSDB, em especial o paulista, se preocupou com o povão? Nos anos dourados do neoliberalismo e do convescote peessedebista em São Paulo, a mídia, a classe política neoconservadora e sua particular e encomiástica turma acadêmica enchiam o peito e babavam com as sandices (sempre ditas com o ar de ciência política) proferidas pelo louvado sociólogo. Cito uma vez mais Millôr Fernandes:


“O que me impressiona é que esse homem, que escreve mal — se aquilo é escrever bem, o meu poodle é bicicleta — e fala pessimamente — seu falar é absolutamente vazio, as frases se contradizem entre si, quando uma frase não se contradiz nela mesma, é considerado o maior sociólogo brasileiro.


Nunca vi nada que ele fizesse (Dependência e Desenvolvimento na América Latina, livro que o elevou à glória, é apenas um Brejal dos Guajas mais acadêmico) e dissesse que não fosse tolice primária. “Também tenho um pé na cozinha”, “(os brasileiros) são todos caipiras”, “(os aposentados) são uns vagabundos”, “(o Congresso) precisa de uma assepsia”, “Ser rico é muito chato”, “Todos os trabalhadores deviam fazer checape”, “Não vou transformar isso (a moratória de Itamar) num fato político”. “Isso (a violência, chamada de Poder Paralelo) é uma anomia”. “E por aí vai…”


FHC é hoje uma figura patética. Uma espécie de cavaleiro da triste figura e que não tem nada de ingênuo nos seus ideais. Ele e seu fiel escudeiro José Serra nem de longe nos comovem como os personagens de Cervantes. Pelo contrário: o mundo que enxerga esse senhor e as fantasias que dele faz, apenas confirmam o seu descompasso com esse vigoroso Brasil que surgiu após o seu desastroso, entreguista, incompetente e não menos corrupto governo.


O país deveria não só esquecer o que esse senhor escreveu, mas também apagar de sua memória histórica esse personagem de tão triste figura.

domingo, 15 de maio de 2011

Petrobras tem lucro recorde. Chora, Chevron!

DO CONVERSA AFIADA


Charge do Bessinha

Saiu no G1:

Petrobras tem lucro recorde de R$ 10,985 bilhões no trimestre


Valor representa alta de 42% em relação a mesmo período de 2010. Receita líquida chegou a R$ 54,8 bilhões, alta de 9%.

Do G1, em São Paulo

A Petrobras atingiu lucro líquido recorde de R$ 10,985 bilhões no primeiro trimestre de 2011, alta de 42% em relação aos R$ 7,726 bilhões do mesmo período de 2010. Em relação ao quatro trimestre do ano passado, a alta foi de 4%.

De acordo com a empresa, contribuiu para o resultado o aumento do lucro bruto que, por sua vez, foi impulsionado pelo crescimento na produção nacional de óleo e gás natural e maior volume de vendas de derivados e gás natural no mercado nacional, comercializados a preços mais elevados.

O aumento na cotação do petróleo Brent também favoreceu, ao elevar as receitas das exportações e da produção e vendas do segmento internacional.

Entre janeiro e março de 2011, a receita líquida da Petrobras chegou a R$ 54,8 bilhões, alta de 9% ante os R$ 50,41 bilhões de 2010.

A Petrobras obteve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 16,093 bilhões, variação positiva de 7% na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior.

A produção total de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil e exterior aumentou 3% no trimestre, em relação ao mesmo período de 2010, atingindo a média diária de 2,63 milhões de barris de óleo equivalente (boed). Somente no Brasil, a produção total de óleo e gás foi 4% superior, alcançando o volume de 2,39 milhões de barris de óleo equivalente.

(…)

Presidenta não para

Do blog Os amigos do Presidente Lula
Rotina de Dilma é frenética


Diagnosticada com uma pneumonia, a presidente Dilma Rousseff contrariou recomendação dos médicos do Hospital Sírio Libanês, que sugeriram até mesmo a internação em São Paulo, e manteve uma agenda agitada em Brasília para uma convalescente.

A análise da agenda oficial de Dilma - a extraoficial não registra encontros no Palácio do Alvorada com assessores - mostra um ritmo mais intenso do que o prescrito. No dia 2 de maio, mal havia desembarcado em Brasília da viagem a São Paulo, a presidente encontrou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, no Alvorada.

Depois disso, foram mais nove reuniões com ministros, além de encontro com o presidente da Alemanha, Christian Wulff, e a participação na Marcha dos Prefeitos.

Anteontem, apesar de decidir cancelar a viagem ao Paraguai, a presidente reuniu-se, no Palácio do Planalto, com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Não bastassem esses encontros, a presidente teria descuidado do sono e da alimentação. Os efeitos da rotina ficaram estampados na sua aparência. Foram vários os comentários sobre o abatimento da presidente, principalmente na Marcha dos Prefeitos.


VACINA NÃO RECOMENDADA

A insistência de Dilma em manter uma agenda agitada veio acompanhada de um outro contragosto, talvez ainda maior, para a equipe que a acompanha. Médicos do Sírio Libanês, onde ela esteve no último fim de semana de abril, deixaram escapar a desaprovação com a decisão de ela ter se vacinado contra a gripe no dia 25, mesmo com alguns sinais já presentes da doença. Sem falar no uso de um remédio indicado para reduzir os sintomas gripais, considerado um erro primário para profissionais.

O infectologista David Uip, da equipe do médico da presidente, Roberto Kalil, descarta essa avaliação.

"A recuperação da presidente está dentro do previsto."

Ao deixar o encontro com a presidente Dilma Rousseff, ontem, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, brincou ao ser questionado sobre a saúde da presidente.

"Ela está melhor do que eu", afirmou ele a jornalistas.

Campos se reuniu com Dilma e com o ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional) para assinar um convênio.

Dilma passou o dia no Palácio da Alvorada. Foi ao Planalto no meio da tarde para se reunir com Eduardo Campos.


Dez dias de medicação

Durante dez dias, a presidente Dilma Rousseff foi submetida a um tratamento com uma associação de dois antibióticos. O uso do remédio terminou nesta semana.

"Embora essenciais para tratar a infecção, antibióticos muitas vezes trazem algum grau de abatimento. Algo previsível e facilmente contornado", disse o infectologista David Uip. O médico negou que o ritmo de trabalho da presidente tenha atrasado sua recuperação. "Ela reduziu bastante a agenda. Nada do que ela fez estava em desacordo com o que foi recomendado."

Em São Paulo, o vice-presidente Michel Temer e o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), também disseram que a recuperação de Dilma está dentro do esperado e que a saúde da presidente não é motivo de preocupação. "Eu disse a ela que ela está com uma aparência muito boa, mas que ela tem de descansar", afirmou Temer.

Vaccarezza disse que Dilma está bem de saúde e que a recuperação da pneumonia foi o motivo do cancelamento da viagem ao Paraguai que a presidente faria amanhã. "Ela está bem, ela teve uma pneumonia", disse. "Esse foi o motivo do cancelamento da viagem ao Paraguai."

O líder do governo ressaltou que a presidente é transparente em relação a doenças. "A presidente é muito transparente. Quando ela teve um câncer e foi tratar, ela disse que teve um câncer, foi se tratar e ficou bem", afirmou, dizendo que ela diminuiu o ritmo. "Agora ela teve uma pneumonia e disse que estava com uma pneumonia. Por isso reduziu a carga de trabalho."

Depois da viagem cancelada, a assessoria de imprensa da Presidência da República informou que Dilma vai passar o fim de semana em Brasília, sem compromissos oficiais.

terça-feira, 10 de maio de 2011

GASTAR, VOCÊ DISSE, GASTAR!

VIA CONTEÚDO LIVRE

A LADAINHA DO CONSUMIDOR - DEVO, NÃO NEGO. E VOU GASTAR MAIS

BRASILEIRO JÁ DEVE MAIS DO QUE GANHA - Ana D"angelo e Vera Batista


A maioria dos brasileiros entrou em uma perigosa armadilha financeira. Pela primeira vez em cinco anos, 53% das famílias gastam mais do que recebem. Segundo dados coletados pelo Banco Central, o trabalhador deve uma montanha de dinheiro a bancos e cooperativas de crédito: R$ 806 bilhões. Somente de janeiro a abril deste ano, os correntistas pagaram de juros R$ 54,4 bilhões às instituições financeiras — mais do que o corte que o governo Dilma pretende fazer no Orçamento de 2011. Especialistas atribuem a gastança à grande oferta de dinheiro na praça e ao hábito de manter as finanças com cheque especial e parcelamento de cartão de crédito. E recomendam: para sair do atoleiro dos juros, é preciso cortar gastos e trocar as dívidas mais caras por financiamentos baratos.


Estimuladas pela farta oferta de crédito, 53% das famílias têm dívidas que extrapolam seus rendimentos. Segundo especialistas, a prioridade deve ser equilibrar o orçamento e poupar para consumir mais tarde

Os brasileiros levaram à risca os conselhos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para consumir, foram às compras em 2010 e perderam o controle. Pela primeira vez em cinco anos, 53% das famílias estão gastando mais do que recebem. Estudo elaborado pelas empresas de pesquisa Nielsen e Kantar Worldpane, a pedido da Associação Paulista dos Supermercados (Apas), mostra que a renda média subiu 13% no ano passado e atingiu R$ 2.146, mas as despesas foram maiores (R$ 2.171). Dados do Banco Central (BC) revelam que as pessoas devem R$ 806 bilhões a bancos e cooperativas de crédito.

Em 2010, os trabalhadores destinaram R$ 192 bilhões para pagar juros de empréstimos, segundo levantamento feito pela Federação do Comércio de São Paulo, com base em estatísticas do BC. Nos primeiros quatro meses do ano, os trabalhadores desembolsaram R$ 54,4 bilhões em juros, um quarto de todos os recursos que o governo quer usar com o programa Bolsa Família em 2011. Desse total, R$ 4 bilhões foram decorrentes da pressão da retomada de alta da taxa Selic pelo BC desde janeiro. Ou seja, com orçamento deficitário, o brasileiro tem que gastar mais em juros para equilibrar as contas.

O diretor de Economia e Pesquisa da Apas, Martinho Paiva Moreira, atribui o descontrole dos brasileiros à maior oferta de crédito, principalmente para a compra de imóveis e veículos. “O desejo de consumo, aliado à oferta de financiamentos, fez com que o trabalhador se embebedasse no crédito”, resume. O levantamento foi feito com base em uma amostra de 8.200 lares de todas as classes sociais, em cidades acima de 10 mil habitantes.

“Crédito, em nosso país, é e sempre foi sinônimo de suicídio. Os bancos cobram, em um mês, juros maiores do que são capazes de compensar com rendimentos de um ano em qualquer aplicação financeira”, avalia o analista de finanças da Moneyfit Antonio de Julio. O diretor da Apas acredita, no entanto, que o consumidor vai reequilibrar as despesas “de forma que a renda fique mais compatível com os gastos”.

O presidente da Apas, João Galasse, acredita que a renda continuará a crescer em 2011, ainda que em um ritmo menor, mas suficiente para ajudar no equilíbrio do orçamento familiar. Segundo ele, a taxa de crescimento dos gastos dos trabalhadores foi acima de 5% nos últimos cinco anos, mas a renda superou a despesa apenas em 1%. Em 2008, a pesquisa, que é anual desde 2006, indicou renda média de R$ 1.540 para consumo de R$ 1.558. Em 2007, o brasileiro ganhou R$ 46 a mais do que gastou. Em 2009, essa conta ficou equilibrada.

“O que temos observado é a dificuldade maior do consumidor de obter crédito barato, até para equalizar as contas, e os dados de inadimplência mostram elevação. Acende a luz amarela”, afirma o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos. Isso não significa, diz ele, que possa haver uma crise, pois o mercado de trabalho ainda está aquecido e negociações eficazes na obtenção de aumento de salário. O que favorece o acerto do orçamento familiar. “Por isso, a necessidade de combate à inflação, buscando a convergência para as metas. Só assim para as famílias terem um alívio em suas despesas”, avalia Santos.

Segundo ele, as famílias devem priorizar o equilíbrio das contas, preparando-se para períodos de vacas magras. Caso seja necessário aperto monetário maior para frear a inflação, pode haver desemprego. “Dívida maior e inflação rodando relativamente forte não resultam em uma das situações mais agradáveis”, alerta.

Armadilha
Antonio de Julio, da Moneyfit, afirma que endividamento “é questão de matemática e não de classe financeira”. Caso o consumidor se deixe seduzir pela armadilha do crédito rotativo, como cheque especial e cartão de crédito, de taxas abusivas, dificilmente conseguirá sair sem danos drásticos à saúde financeira. Julio tem clientes de todas as faixas de renda. Vários deles, com ganhos mensais acima de R$ 15 mil, perderam a noção dos gastos e ficaram enredados no cheque especial. “Passaram por sofrido processo de educação financeira, reuniram a família, identificaram extravagâncias, venderam bens e se recuperaram. Tudo poderia ser evitado com um simples planejamento familiar”, ensina.

Segundo o especialista, antes de gastar, as famílias devem fazer uma “retrospectiva orçamentária”, que significa colocar na ponta do lápis gastos com luz, água, condomínio, aluguel, mensalidade escolar, impostos e taxas, prestações, cheque especial e cartão de crédito. A meta seguinte é cortar desembolsos desnecessários. “A pessoa deve procurar o gerente do banco e, olho no olho, trocar dívidas mais caras, do cartão de crédito, por exemplo, por mais baratas, como um consignado”, ressalta. Com o valor que eventualmente sobre do salário, o ideal é montar uma reserva para gastos inesperados, recomenda.

Na avaliação de Jankiel Santos, do Espírito Santo Investment Bank, os brasileiros deveriam se preocupar em poupar constantemente, seja pela questão previdenciária, para garantir a aposentadoria mais folgada adiante, seja para ter um colchão em momentos de reversão do quadro de bonança. “Se poupa hoje, pode, com as taxas obtidas, conseguir um investimento que pode lhe dar uma cesta de consumo maior adiante.”

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A crise do capitalismo global é sem precedentes, dada a magnitude, o alcance global, a extensão da degradação ecológica e a deterioração da vida social, além da escala e dos meios da violência.

VIA BLOG MARIA FRÔ

EUA: Capitalismo global e o fascismo do séc. 21



EUA: Capitalismo global e o fascismo do séc. 21
Por: William I. Robinson, Al-Jazeera, Qatar. Tradução: Vila Vudu
8/5/2011

A crise do capitalismo global é sem precedentes, dada a magnitude, o alcance global, a extensão da degradação ecológica e a deterioração da vida social, além da escala e dos meios da violência. Vivemos uma crise da humanidade. Os perigos jamais foram maiores e nossa sobrevivência está ameaçada. Entramos em período de levantes e incertezas, de mudanças instantâneas, eivadas de riscos – e grávidas de oportunidades.
Quero discutir aqui a crise do capitalismo global e a noção de respostas políticas diferentes à crise, focando a resposta da extrema direita e o perigo do que chamo aqui de “fascismo do século 21”, principalmente nos EUA.
Encarar a crise exige que se analise o sistema capitalista, que nas últimas décadas tem sido reestruturado e transformado. O momento atual envolve uma fase transnacional ou global do capitalismo mundial, qualitativamente nova, que pode ser rastreada até os anos 1970s, caracterizada pela ascensão do capital realmente transnacional e de uma classe de capitalistas transnacionais (CCT; em inglês, transnational capitalist class, CCT). O capital transnacional conseguiu libertar-se das limitações nacionais dos estados-nações à acumulação, e foi além do que jamais antes alcançara. Com isso, alterou a correlação de forças sociais e de classe em todo o mundo e, em todos os casos, a favor do capital: o capital transnacional minou a força dos movimentos populares e das organizações do trabalho em todo o planeta, processo que começou com as primeiras rebeliões globais, dos anos 1960s e 1970s.
O capital transnacional emergente expandiu-se vigorosamente nos anos 1980s e 1990s, chegando a uma hiper acumulação facilitada pelas novas tecnologias (computadores e informática), pelas políticas neoliberais e graças, também, a novas modalidades de mobilização e exploração da força global de trabalho – incluindo uma massiva nova rodada de acumulação primitiva, o processo de deslocalização e as consequentes ondas de centenas de milhões de migrantes internos e transnacionais –, sobretudo nas zonas rurais do Terceiro Mundo.
Vivemos hoje sob um sistema muito mais integrado, no qual grupos dominantes acumularam extraordinário poder transnacional, com controle sobre recursos e instituições globais.
Acumulação militarizada, especulação financeira – e saqueio dos orçamentos públicos
Ao final dos anos 1990s, o sistema entrou em crise crônica. A forte polarização social, a desigualdade crescente, contribuíram para gerar uma profunda crise de super acumulação. A extrema concentração da riqueza do planeta nas mãos de poucos e o rápido empobrecimento e a miséria da maioria, forçaram os participantes do Fórum Econômico Mundial de 2011 em Davos a reconhecer que a fenda que separa ricos e pobres no mundo pobre é “o maior desafio que o mundo enfrenta” e “nos ameaça com o espectro da instabilidade mundial e de guerras civis.”
As desigualdades globais e o empobrecimento de amplas maiorias implicam que os capitais transnacionais não encontram onde descarregar os gigantescos excedentes que acumularam. No século 21, as CCT recorreram a vários mecanismos para preservar a acumulação global, ou a possibilidade de obter lucros, considerada a situação de crise.
Um desses mecanismos é a acumulação militarizada: fazer guerras e promover intervenções militares que geram ciclos de destruição e reconstrução, e propiciam lucros enormes para um sempre crescente complexo militar-prisional-industrial-financeiro e de segurança. Vivemos hoje em economia de guerra global muito mais ampla do que a que se vê nas chamadas “guerras quentes” no Iraque ou no Afeganistão.
Por exemplo, a perseguição aos imigrantes nos EUA e em outros países e, de modo geral, a repressão aos movimentos sociais e a populações em situação de vulnerabilidade, é uma das estratégias de acumulação, independente de atender também a outros objetivos políticos. A guerra contra os imigrantes é extremamente lucrativa para as corporações transnacionais. Nos EUA, o complexo prisional-industrial privado vive hoje momento de boom. Imigrantes ilegais já são hoje a faixa que mais cresce na população prisional dos EUA; são detidos em centros privados de detenção de imigrantes ilegais e deportados por empresas privadas de transporte contratadas pelo governo dos EUA (“terceirizadas”).
Não surpreende que William Andrews, presidente-executivo da Corrections Corporation of America, CCA – a maior empresa privada que administra centros de detenção de imigrantes nos EUA – tenha dito, em 2008, que “A demanda por nossos serviços de construção e administração [de centros de detenção provisória de imigrantes ilegais] pode ser muito gravemente prejudicada, se se relaxarem os esforços para localizar e deter imigrantes ilegais.” Tampouco surpreende que a CCA e outras corporações tenham financiado a divulgação e as campanhas ‘midiáticas’ a favor da aprovação de leis neofascistas relacionadas à imigração, no Arizona e em outros estados dos EUA.
Um segundo mecanismo dessa nova fase de acumulação do capital é o saqueio dos orçamentos públicos. O capital transnacional usa seu poder financeiro para controlar as finanças públicas e impor cada vez mais “austeridade”, sempre contra os projetos sociais, o que sempre resulta em mais desigualdade e dificuldade para atender as demandas dos mais pobres. A mesma empresa CCT usou seu poder estrutural para acelerar o desmanche do que restava nos EUA do estado de bem-estar social.
Um terceiro fator é a desenfreada, frenética, especulação financeira em todo o mundo – que já converteu a economia global em cassino gigante. A mesma CCT despejou bilhões de dólares em especulação no mercado de imóveis, de alimentos, de energia e em outros mercados globais de commodities, sempre jogando contra o que interessaria aos orçamentos e as finanças públicas), e em todos os “derivativos” imagináveis, de fundos hedge aos swaps, mercados futuros, obrigações por dívidas colaterais e nos sistemas “pirâmides” e “ponzi”. O colapso do sistema financeiro global em 2008 foi só a gota que fez transbordar o copo.
Não se trata de crise cíclica, mas de crise estrutural – uma crise de reestruturação, como a que houve nos anos 1970s e, antes, nos anos 1930s – que tem potencial para tornar-se crise sistêmica, dependendo de como os agentes sociais responderem à crise e de uma legião de contingências desconhecidas. Crise de reestruturação é crise que, para superá-la, é necessário reestruturar o sistema; crise sistêmica é crise que só será superada se o próprio sistema encontrar meios para resolver a crise. Tempos de crise são tempos de mudança social rápida, quando as contingências têm papel mais decisivo, e a ação coletiva é muito mais frequentemente convocada a entrar em ação, que em tempos de sistema equilibrado.
Respostas à crise e a república de Weimar de Obama nos EUA
Ante a crise, parece haver diferentes respostas dos estados e das forças sociais e políticas. Dessas, três se destacam: o reformismo global; a ressurgência das lutas populares e da esquerda, de baixo para cima; e o fascismo da extrema direita no século 21. Parece haver, sobretudo, uma polarização política em todo o mundo, entre esquerda e direita, ambas como forças insurgentes.
Nos EUA, há já bem visível a insurgência neofascista. Essa insurgência pode ser vista já há várias décadas, desde a mobilização da extrema direita que começou no início da crise de hegemonia gerada pelas lutas de massa dos anos 1960s e 1970s, sobretudo contra as lutas de libertação dos negros e dos chicanos e outros movimentos militantes do povo do Terceiro Mundo, os movimentos contraculturais atuais e as lutas da classe trabalhadora militante.
As forças neofascistas reorganizaram-se nos governos George W Bush. Mas minha história aqui, começa na eleição de Obama.
O projeto Obama foi, desde o início, esforço de grupos dominantes para restaurar a própria hegemonia, que começara a deteriorar nos governos Bush (e também envolveu o nascimento do movimento de massa pelos direitos dos imigrantes). A eleição de Obama desafiou o sistema no plano cultural e ideológico e sacudiu as raízes étnicas/racistas sobre as quais repousa, desde sempre, a república norte-americana. Mas o projeto Obama nunca pretendeu desafiar a ordem socioeconômica; foi o contrário: sempre buscou preservar e fortalecer essa ordem, reconstituindo a hegemonia dos mesmos grupos, combatendo abertamente o descontentamento popular e diluindo a resistência popular que começava a constituir-se nos últimos anos dos governos Bush.
O socialista italiano Antonio Gramsci desenvolveu o conceito de “revolução passiva”, para referir-se aos esforços de grupos dominantes na direção de promover mudanças controladas, feitas de cima para baixo, com o objetivo de, assim, minar qualquer possibilidade de mobilização de baixo para cima com vistas a transformações de mais amplo alcance. Na revolução passiva, os líderes de baixo são cooptados; são integrados no projeto dominante. As forças dominantes no Egito, Tunísia e por toda a parte no Oriente Médio e no Norte da África* tentam levar avante esse tipo de revolução passiva. No caso dos movimentos pelos direitos dos imigrantes nos EUA – um dos mais vibrantes movimentos sociais daquele país –, vários líderes do establishment Latino foram incorporados à equipe de Obama e ao Partido Democrata, caso clássico de revolução passiva; enquanto a base popular dos imigrados passou a ser ainda mais intensamente atacada e reprimida.
A campanha de Obama ajudou a ampliar a mobilização de massa e as aspirações populares, e beneficiou-se desse processo, quando se ouviram reivindicações de mudança das quais há muitos anos não se ouvia falar nos EUA. O projeto Obama cooptou a tempestade que se armava de baixo para cima e canalizou-a em termos de campanha eleitoral; imediatamente depois traiu aquelas aspirações, quando o Partido Democrata, de fato, desmobilizou, com revolução ainda mais passiva, toda a insurgência de que se alimentara para vencer as eleições.
Nesse sentido, o projeto Obama debilitou a resposta popular de baixo e da esquerda à crise, o que abriu espaço para que se implantasse, praticamente sem oposição, a resposta da direita à crise – o que aqui chamamos de projeto para o fascismo do século 21 –, que se tornou insurgente.
Assim, pode-se dizer que o governo Obama é uma “república de Weimar”. Embora os sociais-democratas estivessem no poder durante a república de Weimar na Alemanha nos anos 1920s e início dos 1930s, não deram qualquer resposta de esquerda à crise; em vez disso, afastaram e neutralizaram os sindicatos mais ativos e os militantes comunistas e socialistas; e, aos poucos, tomaram o rumo da direita e dos interesses do capital; até que, em 1933, tiveram de entregar o governo ao Partido Nazista.
EUA: o fascismo do século 21
O termo “fascismo” não aparece aqui por acaso, nem levianamente. Listo a seguir alguns traços do que se pode definir como um fascismo do século 21, observados, todos, nos EUA:
Fusão do capital transnacional com o poder político reacionário
Essa fusão aumentou nos governos Bush e ter-se-ia aprofundado num eventual governo McCain-Palin. No meio tempo, movimentos neofascistas como o “Tea Party” e leis neofascistas como as leis anti-imigrantes aprovadas no Arizona, SB1070, foram amplamente apoiadas pelo capital corporativo.
Três setores do capital transnacional tiveram papel de destaque nos mecanismos de fascistização política que visam a facilitar a acumulação: o setor financeiro especulativo, o complexo militar-industrial-e-segurança; e o setor de extração e energia (especialmente, o setor do petróleo).
Militarização e extrema masculinização
À medida que a acumulação tornava mais intensivo o orçamento do Pentágono, que cresceu 91% em termos reais nos últimos 12 anos, os altos escalões militares se foram politizando e envolvendo no planejamento estratégico das políticas de Estado.
Um bode expiatório, para deslocar e redirecionar as tensões e contradições sociais
Nesse caso, trata-se, em particular, dos imigrantes e dos muçulmanos. O Centro Southern Poverty Law noticiou recentemente que “três ramos da direita radical – os grupos de ódio, os nacionalistas fanáticos e as organizações patrióticas – aumentaram, de um total de 1.753 grupos em 2009, para 2.145 em 2010, aumento de 22%, depois do aumento anterior, em 2008-9, de 40%.”
Relatório de 2010 do Departamento de Segurança Nacional observa que “os extremistas de direita parecem estar conquistando novos recrutas, manipulando o medo que inspiram algumas questões de emergência. As dificuldades econômicas e a eleição do primeiro presidente afro-descendente oferecem campo muito favorável para a radicalização de direita e o recrutamento”. E o relatório conclui:
“Ao longo dos últimos cinco anos, vários extremistas de direita, inclusive gangues e racistas pró-brancos (“suprematistas brancos”) têm-se servido da questão dos imigrantes para conclamar à ação, como tema de concentrações públicas, e como ferramenta de recrutamento.”
Uma base social de massa
Nesse caso, a base social de massa está sendo organizada com setores de trabalhadores brancos, que, historicamente, sempre foram beneficiados por um privilégio racial de casta nos EUA, que também estão sofrendo pressões de deslocamento e perdendo muito rapidamente os seus postos de trabalho, à medida em que o neoliberalismo se vai implantando nos EUA – além de estarem perdendo também as garantias de segurança e estabilidade de que usufruíram no período anterior, de capitalismo nacional Fordista-Keynesiano.
Uma ideologia fanática milenarista, em que se misturam ideias de superioridade racial e cultural, com idealização de um passado mítico e mobilização racista contra os bodes expiatórios
A ideologia do fascismo do século 21 é em larga medida irracional – a promessa de obter segurança e de restaurar a estabilidade perdida é emocional, não racional. O fascismo do século 21 é projeto no qual não se separam, nem precisam ser separadas, a verdade e a mentira.
Um líder carismático
Ainda não há, nos EUA, um líder fascista realmente carismático; no vácuo, têm prosperado figuras arquetípicas como Sarah Palin e Glenn Beck.
O circuito mortal de acumulação-exploração-exclusão
Dimensão estrutural nova do capitalismo global do século 21 é a expansão dramática da população global supérflua – a porção marginalizada que não participa da produção da economia capitalista alcança hoje 1/3 da humanidade. A necessidade de assegurar alguma espécie de controle sobre essa massa humana que vive num planeta de favelas alimenta o ímpeto dos projetos neofascistas e facilita a transição do estado do bem-estar para o estado do controle – chamado antes de “estado policial”. O sistema se vai tornando cada dia mais violento.
Posto em termos teóricos: nas condições da globalização capitalista, o Estado perde condições para cumprir suas funções contraditórias, de acumulação e legitimação. A crise econômica torna mais agudo o problema da legitimação dos grupos dominantes, de modo que as crises de acumulação, como a que vemos hoje, geram sempre conflitos sociais graves que aparecem como uma espiral de crises políticas. Na essência, o Estado perde capacidade para funcionar como um “fator de coesão” dentro da ordem social (que é global) e a lógica da acumulação invade todos os aspectos da vida: para manter a “coesão”, é preciso cada vez mais controle.
Os deslocamentos de massas migrantes e a exclusão só aumentaram a partir de 2008. O sistema abandonou setores muito amplos da humanidade, que foram apanhados num circuito mortal de acumulação-exploração-exclusão. O sistema já nem tenta incorporar esse excesso de população: trabalha diretamente para isolá-lo e neutralizar a força de rebelião que tenham, real ou potencial; para isso, o sistema criminaliza os pobres; em vários casos, com medidas que tendem ao genocídio.
O Estado abandona qualquer esforço para garantir a própria legitimidade em fatias muito amplas da população que foram relegadas como excesso de mão de obra – ou trabalho super explorado –, e passa a recorrer a mecanismos de exclusão coercitiva: prisão em massa e os complexos prisionais-industriais, polícia pervasiva, manipulação do espaço, leis super repressivas de imigração e campanhas ideológicas que visam a seduzir essas legiões de pessoas e a torná-las passivas: e vêm as campanhas publicitárias para induzir ao consumo desmedido e à fantasia escapista.
O fascismo do século 21não será igual ao fascismo do século 20. Dentre outras coisas, a habilidade dos grupos dominantes para controlar e manipular o espaço e para exercer controles sem precedentes sobre os veículos e os meios de comunicação de massa, e sobre a produção de imagens e mensagens simbólicas, implica que a repressão será mais seletiva (como vemos hoje no México e na Colômbia, por exemplo), e será organizada juridicamente, de modo que os encarceramentos em massa e legais vão aos poucos assumindo o lugar dos campos de concentração.
Sobretudo, a capacidade do poder econômico para determinar resultados eleitorais fará com que o fascismo do século 21 apareça e constitua-se sem qualquer ruptura nos ciclos eleitorais nem na ordem constitucional.
Hoje, ainda não se pode definir os EUA como Estado fascista. Mesmo assim, lá estão já, reunidas, ativadas e presentes, todas as condições necessárias; e todas as forças necessárias para a plena realização do projeto fascista vão-se reunindo rapidamente. Em termos mais gerais, já se viram imagens, recentemente, de o que esse projeto envolverá, por exemplo, na recente invasão de Gaza pelo exército de Israel e na limpeza étnica que Israel executa na Palestina; na criminalização dos trabalhadores migrantes em todo o mundo, convertidos já em bodes expiatórios; no movimento chamado “Tea Party” nos EUA; no genocídio no Congo; na ocupação por EUA/ONU do Haiti; no crescimento do número de neonazistas e skinheads na Europa; e na repressão intensa, pelos indianos, na Caxemira ocupada.
A resistência contra o fascismo do século 21 poderá vir da luta coordenada de uma também nova classe trabalhadora global. Mas a única solução real para a crise do capitalismo global é massiva redistribuição de riqueza e poder, orientada para a maior – e mais pobre – fatia a humanidade. E o único modo de fazer acontecer essa redistribuição terá de vir, necessariamente, de uma luta da multidão transnacional, de baixo para cima.
* No original, “north of America”. Parece ser engano, aqui corrigido [NTs].
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domingo, 8 de maio de 2011

PARA TODAS A MÃES

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FELIZ DIA DAS MÃES!
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Canção Amiga

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.