domingo, 9 de outubro de 2011

“A conclusão lógica de nossa relação com computadores: buscar ‘qual é o sentido da minha vida’ no Google, esperando por uma resposta.”

Do Vi o mundo

Alerta na rede: Como o Google nos domina

Como o Google Nos Domina *
Alain de Botton, filósofo, escritor e agora aforista online, escreve no Twitter:
“A conclusão lógica de nossa relação com computadores: buscar ‘qual é o sentido da minha vida’ no Google, esperando por uma resposta.”
Você pode fazer isso, é claro. Escrever “o que é” e mais rápido do que você consiga digitar “um” ou “uma”, o Google está oferecendo uma série de escolhas para você: o que é uma nuvem? o que é um significado? o que é um sonho americano? O que é um illuminati? O Google está tentando ler sua mente. Só que não é sua mente. É o Cérebro do Mundo. E seja lá o que ele for, sabemos que uma empresa de doze anos de idade, com sede em Mountain View, Califórnia, está conectada a ele como ninguém.
O Google é o lugar aonde vamos para encontrar respostas. Antes, as pessoas buscavam por elas de outra maneira ou, mais provavelmente, conformavam-se em não saber. Hoje em dia, você não pode ter uma discussão na mesa de jantar sobre “que atriz ganhou o Oscar interpretando uma atriz que não ganhava o Oscar no filme do Neil Simon”, porque a qualquer momento alguém vai puxar um dispositivo de bolso e fazer uma busca no Google (1).
Se você precisasse saber o significado da palavra “pitoresco” para a História da Arte, você poderia encontrá-lo em O Livro de Respostas, compilado há duas décadas pelo setor de referências da New York Public Library [Biblioteca Pública de Nova York] – mas você não vai. Parte da missão do Google é tornar os “livros de respostas” inúteis (e os bibliotecários de referência, também). “Hamadríade é uma ninfa, uma cobra venenosa na Índia, ou um babuíno do Norte da África”, diz o narrador do romance The Infinities, de John Banville, de 2009, “É preciso um deus para saber uma coisa dessas.” Não mais.
A busca por fatos tem sido um importante elemento na engrenagem do conhecimento humano, e essa tecnologia acaba de saltar de uma liga elástica para um reator nuclear. Não é de se admirar que exista alguma confusão sobre o papel exato do Google nisso – juntamente com o medo crescente de seu poder e suas intenções.
Para dizer a verdade, na maioria das vezes, o Google não tem as respostas. Quando as pessoas dizem: “Eu dei uma olhada no Google”, elas estão cometendo um solecismo. Quando elas tentam apagar as suas histórias pessoais embaraçosas “no Google”, estão batendo na porta errada. Raramente é correto dizer que algo está certo “segundo o Google”. O Google é o oráculo do redirecionamento. Vá até lá buscar por “hamadríade”, e ele vai te apontar a Wikipédia, ou o Dicionário Online Grátis, ou o site oficial do Hamadryad (é uma banda de rock, também, veja só!).
O Google define sua missão como “organizar a informação do mundo”, e não possuí-la ou acumulá-la. Por outro lado, uma parcela substancial dos livros impressos do mundo já foram copiados para os servidores da empresa, onde dividem espaço com milhões de horas de vídeo e imagens do mundo inteiro, em diferentes níveis de detalhamento, obtidas a partir de satélites e de esquadrões móveis de câmeras de rua. Para não mencionar o grande e crescente tesouro de informações que o Google possui sobre os interesses e comportamento de, aproximadamente, todo mundo.
Quando eu digo que o Google “possui” todas essas informações, não quero dizer que ele seja dono delas. O significado de “ser dono de informação” é algo muito volátil.
Em mais ou menos uma década, o Google tornou-se uma marca global maior do que a Coca-Cola ou a General Electric; ele gerou riqueza mais rapidamente do que qualquer outra empresa na história; ele domina a economia da informação. Como isso aconteceu? Aconteceu mais ou menos à vista de todos.
O Google tem muitos segredos, mas os principais ingredientes do seu sucesso não são um segredo de maneira alguma, e a história desse negócio já forneceu munição para dezenas de livros. O novo livro de Steven Levy, “In the Plex”, é a obra de maior autoridade – e por vezes também a mais interessante – sobre o assunto até a data.
Por quase trinta anos, Levy tem escrito sobre computadores pessoais para a Newsweek e a Wired, publicou seis livros sobre o tema, e tem visitado a sede do Google periodicamente desde 1999, conversando com seus fundadores, Larry Page e Sergey Brin, e observando a empresa a partir do seu interior – tanto quanto foi possível para um jornalista. Ele foi capaz de registrar algumas conversas bastante provocativas, se ao menos ligeiramente conscientes, como esta, em 2004, sobre as expectativas dos fundadores do Google em relação a sua criação:
“Ele será colocado no cérebro das pessoas”, disse Page. “Quando você pensar em algo e realmente não souber muito sobre isso, você irá receber informações automaticamente.”
“É verdade”, disse Brin. “Em última análise, vejo o Google como uma maneira de aumentar o seu cérebro com o conhecimento do mundo. Agora você vai para o seu computador e digita uma frase, mas você pode supor que isso será mais fácil no futuro. Você só precisa ter um dispositivo de voz, ou computadores que prestam atenção ao que está acontecendo ao seu redor…”
… Page disse: “Eventualmente, você vai ter o implante, e se você pensar sobre um fato, ele vai prontamente lhe dizer a resposta”
Em 2004, o Google ainda era uma empresa privada, com cinco anos de idade, que já valia 25 bilhões de dólares e concentrava cerca de 85 por cento das buscas na internet. Sua única e grande inovação foi o algoritmo chamado PageRank, desenvolvido por Page e Brin quando eram estudantes de pós-graduação de Stanford, e realizavam seu projeto de pesquisa a partir do computador de um quarto de dormitório. O problema era que, até então, a maioria das pesquisas na internet produziam listas inúteis de resultados de baixa qualidade. A solução foi uma idéia simples: colher o conhecimento implícito já incorporado na arquitetura da World Wide Web, organicamente em evolução.
A essência da Web é estabelecer links entre as “páginas” individuais de sites. Cada link representa uma recomendação, um voto de interesse, ou mesmo de qualidade. Assim, o algoritmo atribui uma classificação [rank] para cada página, dependendo de quantas outras páginas oferecem um link para ela. Além disso, os links não são todos avaliados da mesma maneira. A recomendação vale mais quando se trata de uma página que tem uma alta classificação, ela mesma. A matemática por trás do PageRank não é simples – ele é uma distribuição de probabilidade, e o cálculo é recursivo: a classificação de cada página depende da classificação de outras páginas que depende… e assim por diante. Page e Brin patentearam PageRank e publicaram seus detalhes, mesmo antes de criar a empresa que chamaram ‘Google’.
A maioria das pessoas já se esqueceu de quão “escura e mal-sinalizada” a Internet já foi. Um usuário em 1996 – quando a Web era composta por centenas de milhares de “sites” com milhões de “páginas” – não esperava fazer uma simples busca por “Olimpíadas” e localizar automaticamente o site oficial dos jogos de Atlanta. Tratava-se de um problema muito difícil. E que resultado podia-se esperar da busca por uma palavra como “universidade”? O AltaVista (principal mecanismo de busca de então), oferecia uma lista aparentemente desordenada de instituições acadêmicas, encabeçada pelo Oregon Center for Optics.
Levy relata uma conversa entre Page e um engenheiro do AltaVista, que explicou que seu sistema de pontuação aumentava a classificação de uma página se “universidade” aparecesse várias vezes no título. O AltaVista parecia não se preocupar com o fato de que Oregon não fosse considerada uma grande universidade. A maneira convencional de classificar universidades seria consultar os peritos e avaliar as medidas de qualidade: os índices de pós-graduação, de retenção, os resultados de avaliações. A estratégia do Google foi a confiar na Web e seus inúmeros links, para melhor e para pior.
O PageRank é uma daquelas idéias que parecem óbvias depois que ficamos sabendo delas. Mas o negócio de buscas na Internet, jovem como era, tinha caído em algumas preceitos bastante ortodoxos. A principal tarefa de um mecanismo de busca parecia ser a compilação de um índice. Naturalmente, as pessoas pensavam nas tecnologias existentes usadas para organizar a informação do mundo, que podiam ser vistas nos dicionários e enciclopédias. Elas podiam ver que ordem alfabética estava prestes a tornar-se menos importante, mas demoraram a perceber o quão dinâmico e incompreensível era seu alvo, a Internet. Mesmo depois de Page e Brin acenderam a luz, a maioria das empresas continuou a usar vendas nos olhos.
A Internet havia entrado em sua primeira fase explosiva, expandiu e depois retraiu-se para dar novos e ambiciosos passos. Uma coisa que todos sabiam era que a maneira de fazer dinheiro era atrair e reter os usuários. A palavra-chave era “portal” – o ponto de partida do usuário, como Excite, Go.com e Yahoo – e os portais não conseguiriam ganhar dinheiro incentivando seus clientes a navegar pelo resto da Internet. “Retenção”, como diz Levy, “foi a qualidade mais desejada em sites na época.” Portais não queriam que suas funções de pesquisa fossem boas demais. Isso pode soar estúpido, mas como é que o Google pretendia ganhar dinheiro sem cobrar nada dos usuários? Sua interface de usuário no início era simples, minimalista, e enfatizava não ter qualquer publicidade – não havia nada senão uma caixa para que o usuário digitasse uma consulta, seguida por dois botões, um para produzir uma lista de resultados, e outro com a famosa e audaciosa frase “eu estou com sorte”.
Os fundadores do Google, Larry e Sergey, fizeram tudo do seu próprio jeito. Mesmo na cultura informal do Vale do Silício, eles se destacaram desde o início como algo original, como “crianças de Montessori” (segundo Levy), despreocupadas com as normas e propriedades, que preferiam grandes bolas de ginástica vermelhas em lugar de cadeiras de escritório, desprezando organogramas e títulos formais, indo de patins para reuniões de negócio. Fica claro em todos esses livros [aqui examinados] que eles acreditavam em sua excentricidade; eles acreditavam com fervor moral na primazia e poder da informação. (Sergey e Larry não inventaram o famoso lema da empresa, “não seja malvado”, mas eles o abraçaram, e agora eles podem muito bem ser donos dele.)
Nota da tradução:
(1) “Google”, em inglês, tem sido utilizado como um verbo: “to Google”.
PS do Viomundo: Continua… (como o texto é longo, será publicado em partes)
Tradução Pedro Germano Leal
Leia também:

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O sucesso da Presidenta na Bulgária

Do Tijolaço

Como o Estadão escreveu, transcrevo, para que não digam que é mentira:
“Nos balcões das antigas casas de ruas de Gábrovo por onde Dilma Rousseff passaria, moradores chegaram a organizar pequenas festas entre amigos para e ter uma vista privilegiada da passagem da brasileira. Funcionários públicos ganharam a tarde de folga, alunos tiveram as aulas suspensas. Num país carente de ídolos, Dilma ganhou status de personalidade. O dia de ontem, em Gábrovo, foi de festa e pausa na campanha eleitoral – tudo para festejar a “presidente búlgara do Brasil”.
Na cidade, de 60 mil habitantes, nasceu o pai de Dilma, que abandonou a Bulgária em 1930. A visitante não fala uma só palavra em búlgaro e nunca tinha ido ao país. Mas, em dia de ídolo, deu autógrafos e fez até o presidente ser ignorado. Um garoto, a certa altura, pediu que um homem próximo a Dilma lhe desse passagem – e só depois se deu conta que já o havia visto na tevê. Acho que conheço o senhor”, disse o menino ao presidente búlgaro Georg Parvanov.”
Daqui a pouco o Reinaldo Azevedo vem dizendo que estão pagando Bolsa-Família na Bulgária.

Mais um prêmio para o Cara

Via Portal do Nassif
Lula ganha prêmio por combate à fome
Da Folha.com

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um dos ganhadores do prêmio "World Food Prise" por criar políticas públicas de combate à fome e à miséria no país.

O prêmio existe desde 1994 e nomeia, anualmente, personalidades que investiram em segurança alimentar. A cerimônia de premiação vai ocorrer em Iowa, nos Estados Unidos, entre 12 e 14 de outubro.
Para a Worldwatch Institute, organizadora do prêmio, Lula criou programas sociais capazes de garantir "um mínimo de renda, permitindo acesso a bens básicos e serviços", que reduziram a pobreza extrema no Brasil.

Uma militância do tamanho do Brasil... gigante!

Do blog Olhos do Sertão

Ninguém é maior do que a militância do PT.




Observação: como militante político de direita, Montenegro (presidente do Globope) errou todas as suas previsões sobre o PT, Lula e Dilma. 
Importante observar que o PT tem todos os defeitos de todos os partidos, mas nenhum, nenhum mesmo tem as virtudes do PT

Por fim, ao conselho de Montenegro -  Talvez seja melhor a mídia se aproximar mais dos leitores do que tentar afastá-los do governo Dilma, importante considerar que a mídia criou a tese DILMA sim, PT não. 

E o que a mídia vem realizando com sucesso ano após ano, é afastar o eleitor da classe média do PT para favorecer os tucanos. 

E não concordo que ninguém é maior do que o PT porque quem carrega DILMA, LULA e o PT é a sua militância histórica. 

A presidenta é maior que o PT
por Mauricio Dias
Carta Capital

A soma da campanha de Dilma, candidata vitoriosa em 2010, com as ações de Dilma no exercício da Presidência ampliou e agora consolidou o resgate da imagem do Partido dos Trabalhadores entre o populoso contingente de eleitores da classe média, conforme pesquisa Ibope divulgada no início do mês.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A receita brasileira da presidenta Dilma

Do Conversa Afiada

Dilma ensina à Europa receita brasileira.
Pisar no acelerador



Ela disse na ONU que ia discutir a crise mundial
Saiu no Valor: 

Dilma recomenda à Europa não adotar ajuste fiscal forte contra crise


BRUXELAS – A presidente Dilma Rousseff recomendou há pouco ao primeiro-ministro belga Yves Leterme que a Europa não adote ajustes fiscais profundos como forma de combater a crise financeira internacional.


A presidente afirmou que a experiência do Brasil vivida durante a crise da década de 1980 é que a crise deve ser combatida com aumento do consumo, dos investimentos e do crescimento da economia. “A nossa experiência demonstra que, nosso caso, ajustes fiscais extremamente recessivos só aprofundaram o processo de estagnação, perda de oportunidades e desemprego”, disse Dilma, durante declaração conjunta ao lado de Leterme, no Palácio de Egmont, sede do governo belga, em Bruxelas.


Dilma e Leterme sinalizaram que Brasil e Bélgica devem cooperar na área de tratamento de resíduos nucleares e expandir as relações bilaterais. Leterme apoiou a demanda do Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).


(…)


NAVALHA

Navalha
Assim, a Urubóloga e os urubólogos europeus vão cortar os pulsos.
Essa Dilma …

Paulo Henrique Amorim

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pesquisas revelam descrédito da grande imprensa e da oposição

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Por Eduardo Guimarães, em seu blog
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Na semana que termina, foram divulgadas duas pesquisas de opinião que permitem conclusões que vão além daquilo que pretenderam apurar. Uma delas foi feita pelo Instituto Análise, do sociólogo Alberto Carlos Almeida, autor do livro A Cabeça de Eleitor, e a outra é de autoria do sociólogo tucano Antonio Lavareda.
Ambas revelam um quadro desalentador para uma oposição que, a despeito de contar com um apoio propagandístico e estratégico da grande imprensa que dispensa maiores comentários, há quase uma década vem fracassando em voltar a ser uma real alternativa de poder, aos olhos da população.
O que mais chama atenção é a resiliência da popularidade do ex-presidente Lula. Nove meses após deixar o poder, período durante o qual tem sofrido uma campanha negativa na imprensa ainda maior do que a que permeou seus dois mandatos, e ainda não tendo mais os meios de se manifestar que a Presidência da República concede naturalmente aos seus ocupantes, sua popularidade está mais forte do que nunca.
A pesquisa do instituto Análise mostra que, após oito meses (foi fechada em agosto) de governo Dilma, a boa lembrança de Lula continua intacta entre o eleitorado e influenciando decisivamente o jogo político e eleitoral. Para Alberto Almeida, coordenador do instituto, um dos dados que chamam mais atenção é a permanência da popularidade de Lula – o que o torna um fator de extremo desequilíbrio no jogo presidencial.
Durante o seu governo, Lula alcançou 80% de aprovação (ótimo + bom). Agora, com a artilharia da mídia contra si, as teses sobre “herança maldita”, as “marchas contra a corrupção” convocadas pela mídia e que visam seu período de governo, a aprovação do ex-presidente subiu e chegou a 82%. Segundo Almeida, “Isso significa que o eleitorado está com saudades de Lula”.
Ironicamente, a pesquisa divulgada pelo jornal Valor Econômico revela ainda um fato que, analisado pelo prisma correto, mostra que a grande imprensa, além de não ter credibilidade para desmoralizar Lula, pode estar reduzindo a popularidade da presidente Dilma com sua tentativa de forjar uma suposta ruptura política e administrativa de seu governo com o de seu padrinho político.
A aprovação ao governo Dilma é exatamente a metade da de seu antecessor: 41% de  “ótimo” e “bom”. E enquanto 3% dos entrevistados consideram que Lula foi ruim ou péssimo, 16% avaliam Dilma como tal. Nesse aspecto, as tentativas da presidente de tentar manter uma relação civilizada com a imprensa podem estar sendo vistas como “traição”.
A pesquisa também mostra que o governo Lula se tornou medida de comparação para o povo. Os que aprovam a administração Dilma Rousseff justificam a opinião com a percepção que têm de que a presidente está “dando continuidade ao que o Lula fez”.
Para os que previsivelmente dirão que a pesquisa do instituto análise é “comprada”, que o instituto é “petista” etc., vale analisar pesquisa levada a cabo pelo cientista político tucano Antonio Lavareda, pesquisa que, na semana que termina, pôs o PSDB em pânico.
Caciques tucanos se insurgiram contra a divulgação da pesquisa devido ao quadro tétrico que revelou, pois confirma todos os dados da pesquisa do instituto análise e mais alguns outros, todos altamente negativos para a oposição. Revela que, hoje, tanto José Serra quanto Aécio Neves não teriam a menor chance numa disputa com Dilma e muito menos com Lula.
Por fim, o PT pode dormir tranqüilo por conta da forma como o alto escalão tucano avaliou a pesquisa de Lavareda. Ao menos na visão do presidente do partido, Sergio Guerra, os tucanos devem insistir nas táticas de luta pelo poder que permearam a década passada.
Em primeiro lugar, a idéia “brilhante” dos tucanos é a de insistir ainda mais na teoria de que tudo que Lula realizou se deve ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Julgam que, apesar de a grande imprensa repetir essa teoria há quase 10 anos, ela ainda não se fixou na mente do eleitorado porque nas campanhas eleitorais o ex-presidente costuma ser “escondido” pelo seu partido.
A avaliação tucana não debita essa ocultação de FHC pelos seus pares à péssima lembrança que seu governo deixou nos brasileiros e que foi a responsável pela tentativa praticamente desesperada de votarem no enigma Lula em 2002, buscando como que uma última alternativa para um país que parecia não ter jeito antes de o PT chegar ao poder.
Por absurdo que pareça, a interpretação da oposição declarada e da dissimulada é a de que FHC só não desfruta de bom conceito por conta de não ser suficientemente exaltado e, assim, imprensa e oposição partidária podem passar a empreender uma forte campanha pela reabilitação de seu “legado”.
E não fica só nisso, o delírio conservador. Devido ao grande “sucesso” das campanhas moralistas que a direita empreendeu contra o governo Lula e que continua empreendendo contra o governo Dilma, a avaliação do presidente do PSDB e da parcela do partido que o apóia é a de que se deve insistir ainda mais na criminalização do PT e do ex-presidente Lula.
É possível prever, assim, que, nos próximos meses, oposição e mídia devem intensificar o denuncismo contra o legado de Lula e contra o governo Dilma, bem como a exaltação da era FHC e a difusão da tese de que tudo que está acontecendo de bom hoje no país se deve a um governo que terminou, em 2002, sob forte desaprovação da sociedade.
Dilma, Lula e o PT deveriam agradecer aos adversários. Se bobear, ainda farão com que Lula seja canonizado.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

UM ARGENTINO POR NÓS

DO DIRETO DA REDAÇÃO

A elite miserável do Brasil
Urariano Mota

Recife (PE) - No dia em que Lula recebeu o título de doutor honoris causa na França, o diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Ruchard Descoings, chamou a imprensa para uma coletiva. É claro que jornalistas do Brasil não poderiam faltar, porque se tratava de um ilustre brasileiro a receber a honra, pois não? Pois sim, deem uma olhada no que escreveu Martín Granovsky, um argentino que honra a profissão, no jornal Página 12. Para dizer o mínimo, a participação de “nossos” patrícios foi de encher de vergonha. Seleciono alguns momentos do brilhante artigo de Martín, Escravistas contra Lula:

“Para escutar Descoings foram chamados vários colegas brasileiros... Um deles perguntou se era o caso de premiar quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado. Talvez Descoings soubesse que essa declaração de Lula não consta em atas, embora seja certo que Lula não tenha um título universitário. Também é certo que quando assumiu a presidência, em primeiro de janeiro de 2003, levantou o diploma que é dado aos presidentes do Brasil e disse: ‘Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria de presidente da República’. E chorou.

‘Por que premiam um presidente que tolerou a corrupção?’, foi a pergunta seguinte. Outro colega brasileiro perguntou se era bom premiar alguém que uma vez chamou de ‘irmão’ a Muamar Khadafi. Outro, ainda, perguntou com ironia se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po.

Descoings o observou com atenção antes de responder. ‘As elites não são apenas escolares ou sociais’, disse. ‘Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas’ ”.

Houve todas essas intervenções estúpidas e deprimentes. Agora, penso que cabem duas ou três coisas para reflexão. A primeira delas é a educação de Lula. Esse homem, chamado mais de uma vez pela imprensa brasileira de apedeuta, quando o queriam chamar, de modo mais simples, de analfabeto, burro, jumento nordestino, possui uma educação que raros ou nenhum doutor possui. Se os nossos chefes de redação lessem alguma coisa além das orelhas dos livros da moda, saberiam de um pedagogo de nome Paulo Freire, que iluminou o mundo ao observar que o homem do povo é culto, até mesmo quando não sabe ler. Um escândalo, já veem. Mas esse ainda não é o ponto. Nem vem ao caso citar Máximo Górki em Minhas Universidades, quando narrou o conhecimento que recebeu da vida mais rude.

Fiquemos na educação de Lula, este é o ponto. Será que a miserável elite do Brasil não percebe que o ex-presidente se formou nas lutas e relações sindicais? Será que não notam a fecundação que ele recebeu de intelectuais de esquerda em seu espírito de homem combativo? Não, não sabem e nem veem que a presidência de imenso sindicato de metalúrgicos é uma universidade política, digna dos mais estudiosos doutores. Preferem insistir que a maior liderança da democracia das Américas nunca passou num vestibular, nem, o que é pior, defendeu tese recheada de citações dos teóricos em vigor. Preferem testar essa criação brasileira como se falassem a um estudante em provas. Como nesta passagem, lembrada por Lula em discurso:

"Me lembro, como se fosse hoje, quando eu estava almoçando na Folha de São Paulo. O diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: ‘O senhor fala inglês? Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês?’... E eu falei pra ele: alguém já perguntou se Bill Clinton fala português? Eles achavam que o Bill Clinton não tinha obrigação de falar português!... Era eu, o subalterno, o colonizado, que tinha que falar inglês, e não Bill Clinton o português!’
O jornalista argentino Martín Granovsky observa ao fim que um trabalhador não poderia ser presidente. Que no Brasil a Casa Grande sempre esteve reservada para os proprietários de terra e de escravos. Que dirá a ocupação do Palácio do Planalto. Lembro que diziam, na primeira campanha de Lula para a presidência, que dona Marisa estava apreensiva, porque não sabia como varrer um palácio tão grande....Imaginem agora o ex-servo, depois de sentar a bunda por duas vezes no Planalto, virar Doutor na França. O mundo vai acabar.

O povo espera que não demore vir abaixo.

Sobre o autor deste artigoUrariano Mota - RecifeÉ pernambucano, jornalista e autor de "Soledad no Recife", recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do cabo Anselmo, executada pela equipe do Delegado Fleury com o auxílio de Anselmo.