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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sonhando com o quanto pior melhor

Via Escrevinhador

Coimbra: os males do serrismo

publicada sexta-feira, 21/01/2011

O fenômeno, pequeno em inserção popular mas relevante no plano político, depende de tudo dar errado para Dilma e os novos oposicionistas. Por Marcos Coimbra. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ ABr

Os males do serrismo

por Marcos Coimbra, na CartaCapital

Não há partidos ou movimentos políticos exclusivamente bons ou unicamente ruins, se os considerarmos em seu tempo e lugar. Na vida real das sociedades, eles são uma mistura de coisas boas e más, de acertos e erros (salvo, é claro, exceções como o nazismo).

Tudo é uma questão de proporção, do peso que o lado ruim tem em relação ao bom. São bons os movimentos políticos e os partidos (bem como as tendências que existem no interior de alguns), cuja atuação tende a ser mais positiva para o País, seus cidadãos e instituições. São os opostos aqueles que fazem o inverso, que agem, na maior parte das vezes, de maneira negativa.

Tome-se o serrismo, um fenômeno pequeno, do ponto de vista de sua inserção popular, mas relevante no plano político. Afinal, não se pode subestimar uma tendência tucana que conseguiu aprisionar o conjunto de seus correligionários, mesmo aqueles que não concordavam com ela (e que eram maioria), e os levou a uma aventura tão fadada ao insucesso quanto a recente candidatura presidencial do ex-governador José Serra. E que tem, além disso, tamanha super-representação na mídia, com simpatizantes espalhados nas redações de nossos maiores veículos.
Por menor que seja sua base social e inexpressiva sua bancada parlamentar, o serrismo existe. E atrapalha. Muito mais atrapalha que ajuda.

Neste começo de governo Dilma, recém-completada sua primeira quinzena, o serrismo já mostra o que é e como se comportará nos próximos anos. Os sinais são de que será um problema para todos, seja no governo, seja na própria oposição.

Vem da grande imprensa paulista (uma insuspeita fonte na matéria), a informação de que seus integrantes estão revoltados com a trégua que outras correntes do PSDB estariam dispostas a oferecer à presidenta. Em vez da “colaboração federativa” buscada pelos governadores tucanos e as bancadas afinadas com eles, os serristas querem “partir para o pau”.

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), expoente máximo da tropa de elite serrista, dá o mote, ao afirmar que o PSDB deveria ser duro contra Dilma desde já, de forma a ser uma referência oposicionista no futuro. O pano de fundo do que propõe, percebe-se com facilidade, é posicionar o serrismo (de novo!) para a sucessão de Dilma.

Segundo as informações disponíveis, a primeira meta do grupo de José Serra (cujo tamanho, diga-se de passagem, é ignorado) é aproveitar-se da tragédia das chuvas na região serrana do Rio para golpear a presidenta, responsabilizando-a pela ocupação caótica de encostas e outras áreas de risco nas cidades atingidas. Para esses personagens, seria a incompetência de Dilma, à frente do PAC, a causa de tantas mortes e sofrimento. Ou seja, vão tentar vender a versão de que, se ela fosse melhor gerente, nada teria acontecido.

Em nossa permissiva cultura política, não há surpresa no oportunismo da proposta. Ninguém se espanta que alguém faça um jogo como esse, que queira tirar dividendos de uma catástrofe e que, para isso, torça fatos e procure enganar os incautos. Todos nos acostumamos com essa falta de seriedade.

Mas até os mais céticos ficam perplexos com o contraste entre o que dizem agora os serristas e o que foi a campanha que fizeram na eleição de 2010.

Ou será que ninguém ouviu José Serra se apresentar como “verdadeiro continuador” de Lula? Que não viu Serra evitar qualquer crítica ao ex-presidente, dizendo que concordava com ele e que nada mudaria em seu governo (a não ser aumentar o salário mínimo para 600 reais e conceder uma 13ª parcela do Bolsa Família aos beneficiários)?
Derrotado, o serrismo virou oposição intransigente, e quer levar os grupos vitoriosos de seu partido com ele. Enquanto esteve à frente do governo de São Paulo, buscou a boa convivência e a colaboração com o Planalto, avaliando que, ao agir dessa maneira, aumentava suas chances na sucessão de Lula. Agora que não tem escolha, se exime de qualquer compromisso e parte para o pau.

É pouco provável, no entanto, que consiga arrastar o restante do PSDB e os demais partidos de oposição para a radicalização anti-Dilma. No fundo, o serrismo apenas tenta preservar algum espaço em um cenário cada vez mais desfavorável para seus propósitos.

É só se tudo der errado, seja para a presidenta, seja para as novas forças oposicionistas, que o serrismo tem sobrevida. Sua aposta é o fracasso de todos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Lutar contra o fascismo

Por Eduardo Guimarães, em seu blog

Violência, xenofobia, homofobia, racismo… Durante o processo eleitoral do ano passado, o monstro saiu da toca. E, no dia 31 de outubro, soltou seu urro hediondo, espantando e assustando a sociedade brasileira.

Na noite em que foi divulgado o resultado do segundo turno da eleição presidencial, dezenas de jovens de classe média alta, a maioria do Sul e do Sudeste, boa parte de São Paulo, passaram a inundar redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut com mensagens de ódio, xenofobia e racismo, sobretudo contra nordestinos.

Em seguida, constatou-se que a mesma classe média alta das regiões mais brancas, conservadoras e abastadas do país materializava, principalmente em São Paulo, até criminosas confabulações separatistas, em afronta à Constituição e à autodeterminação do povo brasileiro.

Naquele momento, este blog, a serviço do Movimento dos Sem Mídia, promoveu, junto com lideranças da Câmara Municipal de São Paulo, um ato público contra o racismo e a xenofobia na Casa Legislativa paulistana, em seu plenário.

Todavia, nas semanas seguintes o preconceito, esse monstro mutante, tomou a forma da homofobia e converteu a avenida Paulista, imagem primeira de São Paulo, em zona de alto risco para homossexuais e até para qualquer um que achassem que poderia ser homossexual.

Desta feita, as agressões não se limitaram à retórica, já que homossexuais, diferentemente de nordestinos e negros, são praticamente indefesos quando se trata de enfrentamentos físicos, pois são pessoas doces que elevam o amor acima dos julgamentos hipócritas da sociedade.

Essas foram apenas algumas das manifestações de ódio, de intolerância e de preconceitos de todo o tipo que passaram a espantar o país. Mas outras viriam, como continuam vindo, e sempre daquele grupo de jovens brancos, do Sul e do Sudeste e de classe média alta.

No último fim de semana, no dia primeiro de janeiro, durante a transmissão da cerimônia de posse da presidente Dilma Rousseff, o Twitter foi tomado por uma horda de garotos e garotas – e por alguns não tão jovens assim – pregando, pedindo, até implorando que a primeira mulher a governar o Brasil fosse assassinada por um franco-atirador.

O tom de galhofa não retirou o sentido criminoso daquela conduta de manada, em que se repetiam os mesmos clichês, quase como se todos fossem um só, obedecendo a uma ordem de comando, exprimindo um sentimento mesquinho e antidemocrático, uma visão deturpada da vida em sociedade.

Surge a questão, pois: quem educou esses jovens? Eles mesmos são os únicos culpados por suas ações ou seus país e até a própria sociedade também têm culpa pela conduta desses cidadãos que um dia podem até vir a chegar ao poder devido ao estrato social privilegiado a que pertencem?

Por que jovens que têm tudo para ser felizes – boas residências, boa alimentação, bom vestuário, bons colégios, dinheiro no bolso e até alguns (ou muitos) luxos – têm tanto ódio no coração?

Diferentemente dos pobres e, sobretudo, dos negros, esses jovens entenderam da educação que seus pais lhes deram que, por pertencerem a uma classe social “superior”, teriam uma espécie de licença para fazerem o que quisessem.

Essa mentalidade aflorou de alguns dos jovens que fizeram a incitação ao magnicídio de Dilma Rousseff na tarde do primeiro dia de 2011. Tanto é que vários entre os que foram denunciados vieram cobrar explicações de quem os acusava, não conseguindo entender que a lei condena que se pregue o assassinato de qualquer pessoa porque alguém pode levar a idéia a sério.

Alguns outros, amedrontados ao serem confrontados com o que fizeram, apagaram rapidamente seus perfis no Twitter, nos quais fizeram a pregação criminosa. Menos mal.

Surgem, então, as questões de fundo:

O que fazer diante daquilo que parece ser uma doença que infestou o tecido social?

É possível não fazer nada, achar que isso é “assim mesmo”?

Não é uma irresponsabilidade permitir que uma geração que formará médicos, advogados, engenheiros, juízes e até governantes e parlamentares seja tão corrupta?

Que tipo de sociedade sucederá a esta?

Em que mundo vossos filhos e netos viverão?

Diante de uma chaga social desse porte, proponho que seja criada uma ampla campanha publicitária do tipo “Não perca seu filho para o fascismo”, ou coisa que o valha, que estimule os pais a não mostrarem preconceito e intolerância diante dos filhos e, sobretudo, a não acharem que dar conforto a um filho é criá-lo bem.

Finalmente, proponho que seja feito um projeto de lei tornando mais duras as penas para crimes de preconceito, de intolerância, de opressão de setores da sociedade por outros, talvez até incluindo o bullying entre esses crimes. E que seja feito rápido.

O signatário deste blog acredita que há instituições e pessoas mais capazes de encampar essa luta. E sabe que algumas destas pessoas lêem este blog. Espera, portanto, que tomem uma atitude. Se não tomarem, porém, fará ele mesmo o que puder, para não se culpar depois.

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Do Portal Terra

sábado, 18 de dezembro de 2010

Emprego no Brasil: Até agora não se viu nada parecido

Via blog do Favre

É o pleno emprego

CELSO MING – O Estado de S.Paulo

Até agora não se viu nada parecido. O desemprego no País caiu em novembro a níveis recordes. De cada mil brasileiros em atividade econômica em novembro, apenas 57 estavam sem trabalho. É uma situação muito próxima do pleno emprego.

Em inúmeros setores começa a faltar mão de obra até mesmo não especializada. Domingo, na rede de TV americana CBS, o empresário brasileiro Eike Batista contou que está importando soldadores dos Estados Unidos para trabalhar na montagem de plataformas de petróleo. Esse exemplo dá uma boa ideia do aquecimento do mercado de trabalho por aqui.

Nesse mundo globalizado carregado de contrastes, essa é uma situação quase paradoxal, que acontece enquanto os países ricos estão mergulhados no desemprego profundo. Na terça-feira o Fed (banco central dos Estados Unidos) lamentava, no comunicado emitido logo após sua reunião destinada à revisão dos juros, que não há nenhuma reação visível no mercado de trabalho americano, onde o desemprego é de 9,8% da força de trabalho. E esse é também o grande problema da área do euro, onde 10,3% da população ativa não encontra colocação. Na Espanha, o desemprego é de 20,7%; na Grécia, de 12,2%; e na França, de 9,8%.

Quinta-feira, o Ministério do Trabalho revelou que foram criados aqui no Brasil 2,5 milhões de empregos com carteira assinada nos primeiros 11 meses deste ano. Como mais de 50% do mercado de trabalho ainda opera na informalidade, é de supor que a contratação de pessoal em outras condições tenha sido ainda maior.

O pleno emprego é um dos principais objetivos da política econômica. Portanto é uma notícia que merece comemoração. Mas, como toda goiaba boa tem bicho dentro, esse fato positivo também apresenta problemas. O primeiro é o de que essa situação foi obtida com excessiva expansão das despesas públicas, que cresceram 15,7%, com o objetivo de facilitar a vitória da candidata oficial à Presidência da República. A gastança produziu renda e salário e, consequentemente, emprego. Portanto, essa expansão do mercado de trabalho tem um componente artificial.

O segundo problema é o aumento de custos. O nível de desemprego que no Brasil pode ser considerado “neutro”, ou seja, aquele que não produz inflação, é de cerca de 7%. Abaixo disso, crescem as pressões salariais, especialmente no setor de serviços, e, a partir daí, a inflação tende a avançar. Como em ambiente de escassez de mão de obra o recrutamento tem de alcançar pessoal de baixa qualificação, elevam-se também os gastos com treinamento.

O aumento da inflação, por sua vez, exige corretivos para que não desestabilize a economia. E aí os juros terão de ser acionados, num momento em que se pretende o contrário, não só para desarmar a atração de capitais especulativos, mas também porque o governo pretende criar mercado de títulos de longo prazo para incentivar os investimentos.

Por falar em investimentos, ainda que o próximo governo trate de desacelerar o crescimento econômico, a simples agenda de novos projetos deverá manter relativamente aquecido o mercado de trabalho. A Petrobrás, por exemplo, está anunciando para os próximos 3 anos a contratação de mais 14 mil funcionários.

Salva-vidas

Os dirigentes da área do euro decidiram ontem em Bruxelas institucionalizar o fundo de socorro para países encrencados. Foi um passo decisivo para definir condições para enfrentar as crises de pagamento como os que estão derrubando Grécia, Irlanda e possivelmente Portugal. Mas a novidade, arrancada depois de complicado processo político, não empolgou o mercado financeiro.

Perigo de calote?

Teve mais impacto a decisão da Moody”s, principal agência de classificação de risco, de rebaixar os títulos de dívida da Irlanda em cinco níveis do seu ranking. Isso significa que esse país vai pagar ainda mais juros para rolar sua dívida.

Risco de contágio

Mais impacto ainda tiveram as declarações do diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, que advertiu para o aumento do risco de contágio na área do euro. Ele argumentou que os problemas que afligem a Irlanda não são muito diferentes dos que atacam Espanha e Portugal.